Três autoridades são suspensas na Índia após linchamento de suspeito de estupro

O governo do Estado indiano de Nagaland suspendeu três funcionários e enviou soldados paramilitares para a cidade onde uma multidão invadiu uma cadeia de alta segurança, retirou de lá um homem suspeito de estupro e o linchou.

Estadão Conteúdo

07 Março 2015 | 09h41

Na noite de sexta-feira, foram supensos o magistrado distrital de Dimapur, o superintendente da polícia da cidade e o diretor da cadeia, informou o ministro-chefe T.R. Zeliang, a principal autoridade eleitoral local.

A polícia deu início a buscas por vários homens que mobilizaram milhares de pessoas que invadiram a cadeia da cidade de Dimapur na quinta-feira retiraram do local o suspeito de estupro, a quem também acusam de ser um imigrante ilegal de Bangladesh. O homem foi apedrejado e espancado até a morte.

Uma pessoa morreu e várias ficaram feridas quando a polícia fez disparos para dispersar a multidão, declarou um policial de Dimapur, que falou em condição de anonimato.

O comércio e outras atividades estavam fechados na cidade neste sábado e soldados paramilitares patrulhavam o local, que continua sob toque de recolher.

O assassinato do homem, que havia sido detido no dia 24 de fevereiro sob suspeita de ter estuprado uma mulher da região, provocou temores em toda a Índia, onde cresce a irritação do público com a violência sexual contra as mulheres.

Grupos de direitos humanos advertiram a respeito da existência de bandos grupos de justiceiros que decidem fazer justiça com as próprias mãos.

A Anistia Internacional exigiu que o linchamento seja investigado e que pessoas que estavam no meio da multidão sejam levadas à Justiça.

"Este é um sério deslize do sistema de justiça criminal e o governo de Nagaland deve garantir que cada pessoa que fez parte da multidão seja levada à Justiça", disse em comunicado Shemeer Babu, diretor de programa da Anistia Internacional na Índia.

"O fracasso em julgar essas pessoas enviará a mensagem de que qualquer um pode cometer abusos terríveis e tentar justificá-los como expressão a raiva popular", afirmou Babu

O incidente deu início a protestos no Estado vizinho de Assam, local de origem do suspeito, identificado como Farid Khan.

Os manifestantes montaram barreiras nas ruas de Assam neste sábado e durante um período pararam veículos e caminhões que levavam bens que seguiam para Nagaland.

"Havia um bloqueio na via perto de Lahorijan, distrito de Karbi Angolong, em Assam, mas a polícia já abriu o caminho", disse o inspetor-geral de polícia de Assam, S.N. Singh.

O governo de Assam alertou delegacias de polícia de todo o Estado para que permaneçam alertas sobre qualquer possível retaliação contra pessoas da etnia naga que vivem em Assam, disse Singh.

Os nagas são maioria em Nagaland, mas alguns migravam para outras partes do país.

O Ministro Federal do Interior, Rajnath Singh, pediu um relatório sobre a invasão da cadeia.

O assassinato, o ocorrido na quinta-feira, deve também elevar as tensões em Nagaland a respeito do fluxo de imigrantes de Bangladesh. Vários grupos locais acusam os imigrantes de tomar suas terras e seus empregos e têm realizado protestos nas últimas semanas. Fonte: Associated Press.

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