Três carros da ONU são incendiados na Costa do Marfim

Gbagbo, que se recusa a deixar o poder, disse que tropas nacionais retaliariam opositores

Agência Estado

13 de janeiro de 2011 | 13h52

Veículo da ONU é incendiado em Abidjã.

 

ABIDJà Uma porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU) informou que três veículos da entidade foram incendiados e outro foi destruído por jovens ligados a Laurent Gbagbo, presidente do país que se recusa a deixar o poder mesmo depois de ter perdido a eleição.

 

A porta-voz interina Kenneth Blackman disse que uma ambulância da ONU teve de fugir depois que forças de segurança começaram a atirar pedras.

 

O país, que é o maior produtor de cacau do mundo, está sob tensão desde o segundo turno da eleição presidencial, realizado em 28 de novembro, pleito que, segundo a comunidade internacional, foi vencido por Alassane Ouattara.

 

Depois que a ONU certificou Ouattara como vencedor, Gbagbo acusou a instituição de ser tendenciosa e ordenou que milhares de soldados de paz deixassem o país imediatamente. Os soldados da ONU que patrulham as ruas de Abidjã se tornaram alvo de ameaças e um deles foi ferido com um facão no mês passado.

 

Retaliação

 

O chefe do Exército da Costa do Marfim disse que suas tropas se reservam o direito de retaliar os opositores, após dois dias de sangrentos confrontos. A declaração elevou as preocupações com a violência em meio à crise política no país.

 

A maioria dos moradores da região de Abobo, na capital Abidjã, votaram no líder opositor Alassane Ouattara, cuja vitória no segundo turno da eleição presidencial, realizado em 28 de novembro, é reconhecida pela comunidade internacional.

 

O secretário-geral da ONU expressou profundas preocupações sobre a violência em Abobo. O porta-voz da ONU, Martin Nesirky, disse que Ban pediu aos dois lados que "exercitem o máximo de comedimento e evitem novos confrontos".

 

Gbagbo perdeu a eleição por cerca de 9 pontos porcentuais segundo os resultados certificados pela ONU. Um acordo de paz assinado após a guerra civil ocorrida entre 2002 e 2003 pede que a ONU atue como árbitro final das eleições, criando um mecanismo independente para determinar o resultado. As informações são da Associated Press.

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