AFP PHOTO / PRU
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Três deputadas abandonam o Partido Conservador por discordâncias sobre o Brexit

Legisladoras disseram que a saída britânica da União Europeia desfez os esforços para modernizar a formação; elas devem se juntar ao grupo de oito legisladores trabalhistas que também deixaram seu partido e criaram um grupo independente

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2019 | 10h10

LONDRES - Três deputadas do Partido Conservador, o mesmo da primeira-ministra britânica Theresa May, anunciaram nesta quarta-feira, 20, a saída da formação em consequência da gestão do Brexit para unir-se ao grupo independente criado na segunda-feira por deputados que deixaram o Partido Trabalhista.

Ao mencionar as fortes divisões internas no partido, as deputadas anti-Brexit Anna Soubry, Sarah Wollaston e Heidi Allen afirmaram a questão "redefiniu" o partido e está "desfazendo todos os esforços para modernizá-lo".

"Fico triste com a decisão: são pessoas que prestaram um serviço dedicado ao nosso partido durante muitos anos e as agradeço por isto", reagiu imediatamente a chefe de Governo conservadora em um breve comunicado.

"A adesão do Reino Unido à UE foi uma fonte de divergências em nosso partido e em nosso país durante muito tempo. Encerrar a adesão depois de quatro décadas nunca seria fácil", completou.

As três deputadas devem integrar o novo grupo independente formado por deputados do opositor Partido Trabalhista, que na segunda-feira anunciaram a saída de sua formação, também motivados pela gestão do Brexit e pela falta de determinação do partido para enfrentar as atitudes antissemitas que são atribuídas a alguns de seus membros.

Muitos eleitores conservadores votaram pela saída da União Europeia no referendo de 2016, no qual o Brexit venceu com 52% dos votos.

Mas há uma forte tensão dentro do partido de May entre os que são contrários a deixar o bloco, os que defendem o Brexit moderado - como deseja a primeira-ministra - e os que defendem uma saída 'dura', cortando os laços com Bruxelas.

Efeito Corbyn

Uma deputada trabalhista também decidiu deixar seu partido, elevando para oito os parlamentares que abandonaram a formação de oposição por divergências com a liderança de Jeremy Corbyn.

Joan Ryan comunicou sua decisão na noite de terça-feira em uma carta aos membros de seu distrito eleitoral em Enfield (Londres) depois que, na segunda-feira, sete parlamentares trabalhistas comunicaram sua saídas para formarem o novo Grupo Independente.

Ela expressou sua confiança de que mais políticos seguirão seus passos e criticou Corbyn quando afirmou que os trabalhistas, sob sua liderança, desenvolveram um "culto ao redor do líder".

Ao referir-se às denúncias de antissemitismo no partido, a deputada admitiu sentir-se "horrorizada e chateada pela negligência da liderança da formação diante do dever de enfrentar este mal".

"Jeremy Corbyn permitiu o desenvolvimento de uma cultura tóxica em muitos aspectos do Partido Trabalhista. E eu não posso mais fazer parte disso, e é por isso que, com pesar, eu deixei", afirmou.

Corbyn lamentou a saída dos sete deputados - Luciana Berger, Chuka Umunna, Mike Gapes, Ann Coffey, Angela Smith, Chris Leslie e Gavin Shuker - a maior divisão sofrida pelo principal partido da oposição no Reino Unido em 40 anos.

Com essas saídas, o partido de Theresa May fica com 314 deputados - além do instável apoio de 10 deputados do pequeno partido unionista norte-irlandês DUP -, contra 248 do Partido Trabalhista em uma câmara de 650 cadeiras. / AFP e EFE

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