Reuters
Reuters

Três explosões matam 21 em Mumbai no pior atentado na Índia desde 2008

Autoridades indianas não apontam responsáveis pelos ataques, mas suspeitas recaem sobre o grupo radical Lashkar-i- Taiba, ligado ao serviço paquistanês de inteligência e culpado por 166 mortes há três anos, segundo Nova Délhi e Washington

, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2011 | 00h00

MUMBAI

Um triplo atentado terrorista deixou ao menos 21 mortos e 141 feridos ontem em Mumbai, a capital econômica da Índia. As explosões atingiram o bairro de Dadar, o tradicional mercado de joias Zaveri Bazaar e o centro comercial Opera House. É o pior ataque no país desde 2008, quando dez militantes paquistaneses invadiram a cidade e fizeram reféns por três dias. Na ocasião, 166 pessoas morreram.

As explosões ocorreram em um intervalo de 11 minutos. A primeira bomba atingiu o mercado de joias às 18h54 locais (10h24, no horário de Brasília). Um minuto depois, foi a vez do distrito comercial. O bairro de Dadar foi atacado às 19h05.

Em meio ao caos, com corpos e feridos no chão, táxis e caminhonetes tentavam levar algumas das vítimas para hospitais. Por mensagem de celular, os moradores da cidade foram instruídos a não sair de casa.

Nenhum grupo terrorista assumiu a autoria do atentado. De acordo com a polícia, os alvos foram escolhidos cuidadosamente para aumentar a sensação de pânico em uma hora do dia na qual muitos cidadãos voltavam para casa.

Condenação. As investigações ainda estão em estágio preliminar. "Encontramos resquícios de um explosivo improvisado em um guarda-chuva", disse o chefe da polícia de Mumbai, Arup Patnaik. Em Dadar, um dos explosivos foi escondido aparentemente perto de um ponto de ônibus.

O premiê Manmohan Singh condenou os ataques e pediu união aos indianos. O ministro do Interior, Palaniappan Chidambaram, declarou estado de alerta na cidade. Investigadores e equipes de elite foram deslocadas para Mumbai.

Autoridades indianas não responsabilizaram nenhum grupo militante pelo ataque. No atentado de 2008, Nova Délhi e Washington culparam o grupo militante Lashkar-i-Taiba, ligado ao serviço paquistanês de inteligência, o ISI. Especialistas voltaram a citar o grupo como o principal suspeito do atentado de ontem.

"A Índia não vai se acovardar. Os responsáveis serão levados à Justiça", disse o chefe de gabinete de Singh, Farooq Abdullah. Em boletim, a consultoria de risco Stratfor afirmou que o estilo do ataque de ontem lembra o modus operandi do Indian Mujahideen, um dos grupos islâmicos que atuam no país.

Os EUA e o governo do Paquistão condenaram o ataque. O presidente Barack Obama divulgou um comunicado lamentando as explosões. "A Índia é um amigo e parceiro próximo dos EUA. Apoiaremos os esforços indianos para trazer os responsáveis por esse crime terrível à Justiça", disse.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, ofereceu condolências às vítimas. "O governo paquistanês condena as explosões em Mumbai e expressa sua consternação pelos mortos e feridos", disse.

As relações entre os Estados Unidos e o Paquistão têm se deteriorado desde a morte do terrorista saudita Osama bin Laden, em uma operação secreta americana em Abbottabad, em maio. No domingo, os americanos suspenderam a ajuda militar ao país. / AP, REUTERS E NYTM

PARA LEMBRAR

Cidade sofreu outros ataques

Mumbai é um alvo constante de atentados terroristas. Militantes islâmicos que defendem o fim do domínio indiano sobre a região da Caxemira, na fronteira com o Paquistão, já organizaram ataques contra a cidade em 1993, 2003 e 2008. Na última ação, dez militantes islâmicos paquistaneses armados chegaram a Mumbai em lanchas e fizeram reféns em sete locais, entre eles um hotel e um centro judaico. O impasse durou três dias. No fim, 166 pessoas morreram e 9 dos 10 terroristas foram mortos pela polícia. O ataque levou a Índia a romper as negociações de paz com o Paquistão - os dois países já entraram em guerra três vezes desde que se tornaram independentes da Grã-Bretanha, em 1947.

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.