Três homens-bomba matam 52 no Paquistão

Mais de 160 pessoas já morreram em ataques em todo o país desde o incidente na Mesquita Vermelha

Zeeshan Haider, REUTERS

19 Julho 2007 | 19h11

Três homens-bomba mataram pelo menos 52 pessoas na quinta-feira no Paquistão, em meio à intensificação da reação dos militantes islâmicos à ocupação militar de uma mesquita de Islamabad. Mais de 160 pessoas já morreram em ataques em todo o país nos nove dias desde o incidente na Lal Masjid ("Mesquita Vermelha"), um reduto dos militantes. Pelo menos 30 pessoas foram mortas na quinta-feira quando um carro-bomba, aparentemente tendo como alvo um veículo com trabalhadores chineses do setor minerador, investiu contra o carro de polícia que os escoltava, em Hub, sul do país. Os chineses escaparam ilesos, mas todos os sete policiais no veículo e 23 transeuntes morreram, junto com os homens-bomba. Outras 28 pessoas ficaram feridas. Outras sete pessoas, inclusive policiais, foram mortas por um carro-bomba em Hangu, extremo noroeste do Paquistão. O terceiro ataque matou pelo menos 15, inclusive duas crianças, na mesquita de um centro de treinamento do Exército em Kohat, na Província da Fronteira Noroeste, segundo o policial Mohammad Riaz. "A explosão ocorreu quando as pessoas estavam prestes a oferecer as preces noturnas, e foi aparentemente uma explosão suicida", disse ele. O ataque em Hub, na fronteira das províncias do Baluchistão e Sindh, foi o maior na atual onda de violência e o primeiro no sul do país. "Vi chamas em torno de mim depois de uma grande explosão. Parecia que os carros estavam voando", disse à Reuters, num hospital de Karachi, Mohammad Raheem, 17 anos, que ficou ferido na explosão. "Havia gritos e choro ao redor. Depois disso não sei o que aconteceu, eu simplesmente desmaiei." Trabalhadores chineses já haviam sido alvo de atentado na mesma região por parte de separatistas baluches, mas a polícia suspeita que o novo ataque tenha relação com a crise na mesquita. "Acreditamos que seja parte dos recentes ataques realizados por militantes islâmicos", disse Tariq Masood Khosa, chefe de polícia do Baluchistão, à Reuters.   Estado de sítio - O presidente Pervez Musharraf afirmou na quarta-feira que não pretende declarar estado de emergência para conter a crescente insegurança, e deu garantias de que as eleições deste ano serão de fato realizadas. A violência que assola o Paquistão nos últimos dias permitiu que Musharraf se apresentasse como o único líder capaz de manter a segurança no país. Além disso, a situação possibilitou que o general reafirmasse o plano de buscar a reeleição como presidente, este ano, sem abandonar o comando do Exército. (Com Efe)    

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