Três médicos americanos morrem em atentado no Iêmen

Três médicos americanos foram mortos a tiros hoje e um quarto ficou gravemente ferido num ataque perpetrado por um militante islâmico supostamente integrante da rede terrorista Al-Qaeda, segundo fontes dos serviços de segurança iemenitas. Os médicos trabalhavam num hospital administrado pela organização cristã Conselho Missionário Internacional da Convenção Batista do Sul, localizado na cidade de Jibla, 180 quilômetros ao sul de Sanaa. O autor do atentado, Abed Abdel Razak Kamel, é estudante da Universidade Al-Iman, considerada um centro fundamentalista. Segundo testemunhas, ele se barbeou e viajou para Jibla no domingo à noite para cometer o atentado. O atirador, preso logo depois do atentado, declarou formar parte de uma célula formada por cinco ativistas islâmicos - cada qual encarregado de desfechar um atentado diferente no país. Um destes ataques, segundo Kamel, ocorreu no sábado, com o assassinato do "número 2" do Partido Socialista Iemenita, Yerala Omar, durante a convenção do grupo político, em Sanaa. Kamel disse ainda, segundo as autoridades de segurança, que tinha atirado nos quatro médicos para "purificar" sua fé e "estar mais perto de Deus". Ele entrou no hospital fazendo-se passar por ferido. Uma vez no interior do edifício, sacou um fuzil Kalashnikov, dirigiu-se a uma sala em que os médicos estavam reunidos e abriu fogo indiscriminadamente. Os Estados Unidos mantêm dezenas de agentes do FBI e da CIA no Iêmen, dentro de um acordo de "cooperação na luta contra o terrorismo internacional". O Iêmen é considerado como um dos países onde se refugiam membros da Al-Qaeda, a organização terrorista islâmica encabeçada pelo saudita Osama bin Laden, que os EUA responsabilizam pelos atentados contra Nova York e Washington em 11 de setembro do ano passado. Segundo as autoridades americanas, depois da queda do regime ultrafundamentalista islâmico dos talebans no Afeganistão, no final de 2001, muitos seguidores da Al-Qaeda buscaram refúgio no Iêmen, país de origem da família Bin Laden. Em novembro passado, um avião não-tripulado da CIA atacou um veículo e matou os seis ocupantes, entre eles algumas pessoas que os EUA consideravam destacados membros da Al-Qaeda. Nos últimos anos, foram registrados no Iêmen diversos atentados atribuídos a grupos supostamente relacionados com a Al-Qaeda, como o que foi cometido em outubro de 2000 contra o destróier dos EUA "Cole", no porto de Áden, onde morreram 17 americanos e dois terroristas. Em outubro passado, em outro atentado com explosivos, um tripulante do petroleiro francês "Limburg" morreu em águas iemenitas.

Agencia Estado,

30 Dezembro 2002 | 20h16

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