Três mil vão a enterro de paquistanês pró-Taleban

O corpo de um líder militante paquistanês morto num ataque aéreo americano no Afeganistão, depois de entrar no país para ajudar a milícia Taleban, foi enterrado hoje por 3.000 de seus seguidores. Ustaq Farooq foi um dos 22 membros paquistaneses do Harkat ul-Mujahedeen que morreram na terça-feira na capital afegã, Cabul, quando um bomba dos Estados Unidos caiu na casa onde se reuniam. Eles planejavam estratégias para ajudar o Taleban em sua luta contra a coalizão liderada pelos EUA, disseram líderes do grupo. Partidários de Farooq lotaram as ruas, com rostos sombrios, levando seu caixão nos ombros - envolto numa bandeira do Paquistão. Policiais com armas automáticas acompanharam a procissão, mas não houve incidentes. "Meu irmão sacrificou sua vida pela causa do Islã. Ele é um mártir. Não lamentamos sua morte, e estamos prontos para continuar sua missão", afirmou o irmão de Farooq, Abdul Rahim. Centenas de paquistaneses integrantes de grupos militantes baseados no Paquistão têm cruzado para o Afeganistão desde o início dos ataques aéreos americanos, dizendo que estão participando de uma jihad (guerra santa) contra os Estados Unidos. Hoje, em Maidan, noroeste paquistanês, partidários do Taleban atenderam a um chamado de um clérigo islâmico para lutarem no Afeganistão. Sofi Mohammad, líder do grupo Tehrik Nifaz Shariat Mohammadi Malakand, pediu aos voluntários para passarem por sua escola islâmica em Maidan em seu caminho para o Afeganistão. Mais de 3.000 pessoas atenderam ao chamado, e chegaram em grupos de centenas. "Não esperávamos tantas pessoas", disse Fazal Ullah, filho de Mohammad. Ele afirmou que muitos trouxeram armamento próprio, como mísseis e lançadores de granadas. Mohammad pediu uma guerra santa contra os EUA, e seu filho acrescentou: "Quem quer que nos impeça de lutar contra os americanos será tratado como um americano". Em Karachi, a polícia encontrou uma bomba-relógio numa bolsa na frente de um escritório da companhia aérea nacional, a Pakistani International Airlines. A bomba foi desarmada quando faltavam quatro minutos para explodir, informou a polícia. Na cidade oriental de Lahore, mais de 5.000 mulheres e crianças responderam a um chamado do partido religioso Jamaat-e-Islami e promoveram uma manifestação pró-Taleban. Mulheres com filhos nos colos criticaram os presidentes dos EUA, George W. Bush, e o paquistanês, general Pervez Musharraf, acusando-os da morte de inocentes no Afeganistão. Leia o especial

Agencia Estado,

25 Outubro 2001 | 15h49

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.