Três militares britânicos agradecem Irã por libertação na TV

Três dos quinze militares britânicos capturados pelo Irã no Golfo Pérsico agradeceram nesta quarta-feira, 4, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, por libertá-los. As entrevistas foram transmitidas pelo canal estatal iraniano IRIB 2.O tenente Felix Carman foi o primeiro a falar, sentado em um sofá. "Eu posso entender porque vocês estão se sentindo ofendidos pela intrusão nas águas", disse Carman. "Eu gostaria de ver que nenhum dano foi causado ao povo iraniano e a seus territórios quaisquer e espero que essa experiência ajude a reparar a relação entre nossos países".Faye Turney, única mulher no grupo, disse que foram tratados muito bem mas "seria bom voltar, chegar em casa e ver minha família".O capitão da Marinha Real, Chris Air, disse que os iranianos os trataram "muito bem, com respeito por todos nossos direitos".Nesta quarta-feira, o embaixador britânico em Teerã encontrou os 15 militares libertados pelo Irã, mas a equipe não foi entregue a autoridades britânicas ainda, segundo a chancelaria britânica.O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou nesta quarta-feira que os 15 britânicos seriam libertados em entrevista coletiva, logo após condecorar os homens da guarda costeira que os detiveram. Ahmadinejad disse que "perdoa" o Reino Unido pela suposta invasão de águas territoriais iranianas, e que a soltura era um "presente de Páscoa" ao povo britânico.O presidente, entretanto, manteve as críticas ao Reino Unido e enfatizou que o Irã jamais aceitará que suas águas territoriais sejam violadas.Em sua primeira declaração após o anúncio de que os marinheiros e fuzileiros navais seriam soltos, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, afirmou que seu país não guarda nenhum ressentimento em relação ao povo iraniano.Blair disse diretamente ao povo iraniano que respeita e admira a população e a história do país, e que "os desentendimentos que temos com seu governo, esperamos resolver pacificamente através de diálogo".O presidente americano, George W. Bush, também recebeu com satisfação a notícia da libertação dos britânicos. O governo dos Estados Unidos apoiaram o Reino Unido no impasse com Teerã.RepercussãoA detenção dos britânicos por quase 15 dias gerou tensões entre os dois países, e foi condenada pela União Européia, que a considerou uma violação de leis internacionais. O episódio veio à tona num momento em que as tensões entre o Irã e o Ocidente - em especial os Estados Unidos e o Reino Unido - já encontravam-se em alta por causa recusa de Teerã em suspender seu polêmico programa nuclear.A crise foi marcada por uma engenhosa campanha de propaganda encabeçada pelo governo iraniano, que usou supostas confissões em vídeos, fotos e cartas dos militares britânicos para comprovar a "invasão" das águas iranianas.Num dos momentos mais dramáticos, a única mulher do grupo, a marinheira Faye Turner, apareceu em um vídeo veiculado pela TV estatal dizendo que os britânicos "certamente invadiram" as águas iranianas. Em uma carta ela também afirmava ter sido "sacrificada" pela política de guerra de Londres e Washington.Na semana passada, a crise desencadeada pela captura dos militares britânicos elevou os preço do barril do petróleo aos níveis mais altos do ano. Com o anúncio da liberação nesta quarta-feira, entretanto, o valor apresentou tendência de queda.

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