Três palestinos mortos em ações militares israelenses

O Exército de Israel ampliou nesta quarta-feira (07) suas operações militares na Cisjordânia, matando três supostos militantes palestinos e prendendo 19 pessoas em meio ao persistente impasse nos esforços para encerrar um ciclo de mais de três anos de violência. Operações noturnas promovidas em cidades e aldeias da Cisjordânia e uma ação concentrada de três semanas contra Nablus - maior cidade da região - causaram o aumento da tensão. Palestinos acusam os israelenses de tentarem sabotar os esforços de paz. Durante as últimas três semanas, soldados israelenses assassinaram 14 palestinos em operações militares na Cisjordânia. Nas ações desta quarta-feira, soldados israelenses mataram dois membros das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa em Nablus. Segundo o Exército, nessa operação seus soldados mataram um palestino que apontou uma pistola e ameaçou atirar e um outro que resistiu à prisão. Em Tulkarem, uma cidade perto da linha imaginária que separa Israel da Cisjordânia, soldados mataram um suposto militante do Hamas depois de ele ter disparado contra os soldados durante uma operação de busca e captura, divulgou o Exército. Durante as operações noturnas em Nablus e Jenin, no extremo norte da Cisjordânia, os soldados israelenses detiveram 19 suspeitos, prosseguiram os militares. Na Faixa de Gaza, soldados israelenses abriram fogo contra uma figura suspeita que se aproximou de um assentamento judaico na região, mas aparentemente não atingiram o alvo. Os militares também detiveram três jovens palestinos perto da aldeia israelense de Nahal Oz. O político palestino Yasser Abed Rabbo acusou o Estado judeu de ter a intenção de acentuar a violência na região. Por meio de um comunicado, ele disse que as ações israelenses "representam crimes que prejudicam os esforços regionais e internacionais para acalmar a situação, provocam a reação palestina e têm como objetivo desencadear um novo ciclo de violência". O primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Ahmed Qureia, vem tentando há semanas - sem sucesso - obter uma trégua juntos às facções armadas palestinas. Seu objetivo é apresentar o cessar-fogo ao primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, e pressionar os israelenses para que suspendam suas operações militares. O Egito aliou-se aos esforços da ANP e enviou representantes à Cisjordânia e à Faixa de Gaza para se reunirem com líderes dos grupos armados. Funcionários palestinos disseram que Omar Suleiman, chefe do serviço secreto egípcio, seria o próximo enviado à região, mas ainda não foi estabelecida nenhuma data para sua chegada. Em meio ao impasse nos esforços de paz, Qureia cancelou os contatos entre israelenses e palestinos para a organização de uma reunião de cúpula entre ele e Sharon. Israel insiste em não participar de uma trégua com as facções armadas palestinas e pressiona para que a ANP reprima esses grupos, conforme exigido pelo roteiro para a paz, plano endossado recentemente pelo Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Entretanto, funcionários israelenses sugeriram que, se a violência parar, as ações de seu Exército seriam drasticamente reduzidas. Apesar da ausência mútua de ações na direção de uma trégua e de contatos de alto níveis entre Israel e a ANP, as ações de militantes palestinos tornaram-se em algo raro durante as últimas semanas. O último atentado suicida ocorreu em 25 de dezembro em Tel-Aviv, onde quatro israelenses morreram em um ponto de ônibus. O ataque extremista anterior a este ocorreu em outubro de 2003. A diminuição no número de atentados levou a especulações de que o Hamas - maior grupo armado palestino - teria decidido suspender os ataques sem fazer um anúncio formal. Os líderes do grupo negam a versão. Ainda nesta quarta-feira, a imprensa israelense noticiou a existência de contatos entre autoridades líbias e israelenses com o objetivo de estabelecer relações entre os países. Os contatos seriam conseqüência do anúncio feito em 19 de dezembro pelo líder líbio Muammar Kadafi de abandonar a busca por armas nucleares. Durante décadas, Líbia e Israel foram inimigos. Nos últimos anos, Kadafi abrandou sua posição. Funcionários do governo israelenses recusaram-se a comentar a notícias. A Líbia negou a existência desses contatos.

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