Três palestinos são assassinados em meio à trégua

Em meio ao prosseguimento de uma frágil e conturbada trégua, soldados israelenses assassinaram três palestinos, neste domingo, na Cisjordânia. As mortes elevam a 18 o número de vítimas desde que os dois lados prometeram, na semana passada, formalizar um cessar-fogo. Nenhum israelense foi assassinado desde que a promessa de cessar-fogo foi feita na quarta-feira. Porém, Israel alega que seus soldados foram obrigados a lidar com dezenas de ataques nos últimos dias, quando os palestinos saíram às ruas para protestar devido ao aniversário de um ano do atual levante. "Infelizmente, a Autoridade Palestina não conteve a violência", diz Tzipi Livni, ministro de gabinete de Israel. O Estado judeu alega que os palestinos tinham dois dias para implementar sua parte do cessar-fogo ou a mais recente trégua fracassaria, como aconteceu com as tentativas anteriores realizadas durante o primeiro ano do conflito. Os palestinos, por sua vez, afirmam que o grande número de mortos em seu lado é resultado do uso excessivo da força pelos soldados israelenses. "Não acreditamos que um cessar-fogo possa ser mantido sob tais circunstâncias, nas quais os soldados israelenses obviamente têm ordem de atirar para matar quando quiserem", acusa o ministro palestino da Informação, Yasser Abed Rabbo. Em meio às atuais divergências, o ministro israelense das Relações Exteriores, Shimon Peres, reuniu-se com o funcionário palestino Ahmed Qureia neste domingo para conversar sobre o cessar-fogo. Ainda hoje, o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, viajou ao Cairo para reunir-se com o presidente do Egito Hosni Mubarak, e depois seguiu rumo à Jordânia para encontrar o rei Abdullah II. No Egito, Arafat garantiu que não parará de manter encontros políticos com os israelenses, apesar da "contínua agressão israelense". Em obediência ao acordo entre israelenses e palestinos fechado na quatra-feira, ambos os lados devem implementar até terça-feira algumas medidas para reduzir a tensão. Hoje, ambos os lados deram alguns sinais de ação. Os israelenses levantaram parcialmente um bloqueio militar em torno de Jericó, na Cisjordânia, uma área onde a tranqüilidade persistiu durante a maior parte do tempo. Israel também reabriu a passagem de fronteira entre o Egito e o sul da Faixa de Gaza. Em um episódio incomum, a polícia palestina em Gaza utilizou gás lacrimogêneo para dispersar jovens que seguiam para um confronto com soldados israelenses em um posto de fronteira. Desde o início do atual conflito, as forças palestinas de segurança raramente intervieram para evitar que jovens se manifestassem na frente de soldados israelenses. Porém, os palestinos ficaram particularmente irritados com a morte a tiros de dois operários palestinos nas proximidades da cidade cisjordaniana de Tulkarem. O motorista de táxi Asmi Asm contou que, na madrugada de hoje, ele e outros taxistas levavam operários que moram em Tulkarem, nas proximidades da divisa com Israel. Os operários pretendiam se unir aos milhares de palestinos que evitam os bloqueios e entram ilegalmente em Israel para conseguir trabalhar. Asm comentou que no meio do caminho, perto de Silat e-Dhar, o comboio viu-se perante uma pilha de pedras impedindo a passagem. Quando alguns passageiros começavam a retirá-las para abrir caminho, soldados israelenses escondidos em oliveiras próximas abriram fogo, mataram duas pessoas e feriram seis. Por meio de um comunicado, o Exército de Israel informou ter criado o bloqueio por causa de um tiroteio ocorrido na região cerca de 20 minutos antes. Ainda segundo os militares, os táxis teriam se aproximado do local em alta velocidade. O Exército diz que os motoristas e passageiros se recusaram a descer dos veículos. Os táxis teriam então "começado a viajar perigosamente no sentido oposto". Os soldados dizem ter atirado contra os pneus dos carros. "Quando os passageiros desceram e tentaram correr, alguns deles foram atingidos pelos disparos dos soldados", dizia o comunicado do Exército. O documento não fazia menção a soldados sendo alvo de disparos nem a armas encontradas no local. Um terceiro palestino foi assassinado na cidade cisjordaniana de Hebron, onde os soldados israelenses mataram um agente palestino à paisana quando ele fazia uma patrulha a pé, disseram fontes palestinas. O Exército israelense informou que ainda estava checando a informação.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.