Três palestinos são mortos a tiros e Arafat acusa Israel

Soldados israelenses mataram a tiros três palestinos nesta segunda-feira, e o líder palestino Yasser Arafat acusou o Estado judeu de promover uma escalada nas ações militares. Também hoje a polícia israelense deteve por breve período um funcionário da Organização para Libertação da Palestina que presidia a uma recepção em comemoração à festa muçulmana de Eid al Fitr, em um hotel de Jerusalém Oriental. O detido, Sari Usseibeh, é o principal enviado palestino na cidade que seu povo considera como sua capital, e um defensor do processo de paz. As autoridades israelenses o acusaram de violar os acordos de paz, que proíbem os palestinos de realizarem eventos "nacionalistas" na disputada cidade. O tiroteio em Hebron ocorreu um dia depois de Arafat pronunciar um discurso em que pediu aos extremistas palestinos que acabem com os ataques suicidas e qualquer "atividade terrorista" contra Israel. Arafat acrescentou que a polícia palestina deterá os autores dos ataques, embora Israel continue perseguindo os extremistas. As forças israelenses tentaram deter em sua residência um membro do movimento Hamas, Yacoub Aidkadik, de 28 anos, disse o Exército. Aidkadik tentou fugir e foi morto a tiros, acrescentaram os soldados. "Lamento dizer que os israelenses estão aumentado suas atividades militares", disse Arafat. Perguntado sobre se considerava a atuação israelense uma resposta a seu discurso, Arafat respondeu que "é o que parece". Em outro tiroteio, soldados israelenses dispararam contra dois policiais palestinos em trajes civis que viajavam de automóvel sem os distintivos, perto de Nablus. Um policial morreu e outro ficou ferido. Na cidade de Kahn Younis, na Faixa de Gaza, soldados israelenses dispararam contra um menino de 12 anos e o mataram, disse um médico palestino, acrescentando que no momento do incidente não havia confrontos. Diante dos ataques israelenses e da pressão internacional, o discurso pronunciado no domingo por Arafat foi um apelo mais enérgico para que cessem quase 15 meses de violência no Oriente Médio. No entanto, não ficou claro se os grupos militantes palestinos acatarão suas ordens, que têm sido desobedecidas por esses grupos. Os líderes do Hamas e da Jihad Islâmica passaram para a clandestinidade para escapar tanto das forças de segurança israelenses como das palestinas. "Foram palavras construtivas, mas agora é necessário que ele tome medidas a respeito", disse hoje em Washington Ari Fleischer, porta-voz do presidente americano, George W. Bush. Os militantes da Faixa de Gaza aparentemente desafiaram os pedidos de Arafat para que respeitem uma trégua ao dispararem um projétil de míssil no domingo à noite contra um assentamento judeu, segundo o Exército israelense. Não houve feridos e os palestinos negaram ter disparado o projétil. Vários militantes palestinos no exílio disseram ao jornal El Líbano que rejeitam o apelo de Arafat para que cessem os ataques suicidas. "Ninguém tem o direito de tirar do povo palestino o direito natural à própria defesa", disse Abu Imad Rifai, porta-voz da Jihad Islâmica em Beirute.

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