Matthew Abbott/The New York Times - 10/1/2020
Matthew Abbott/The New York Times - 10/1/2020

Três pessoas morrem em queda de avião-tanque na Austrália

Aeronave estava trabalhando para conter focos de incêndios que o país encara desde setembro de 2019

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2020 | 03h44

SYDNEY - Três pessoas morreram devido a um acidente com um avião-tanque enviado para combater os incêndios florestais que devastam a Austrália nesta quinta-feira, 23, em um dia marcado por novos alertas devido às altas temperaturas. Autoridades perderam contato com a aeronave, um C-130 Hercules, enquanto ela sobrevoava a área de Snowy Monaro, ao sul de Canberra, durante operações de combate a incêndios. 

Autoridades disseram que não houve sobreviventes no acidente e observaram que este é um exemplo das duras condições enfrentadas pelos bombeiros. Com essas mortes, já há 32 pessoas mortas no país pelos incêndios, que desde setembro arrasaram uma área do tamanho da Síria (180 mil quilômetros quadrados). 

Também nesta quinta-feira, autoridades australianas anunciaram fechamento e cancelamento de todos os vôos que partem e chegam ao aeroporto de Camberra, o nono no país em número de passageiros, por conta de um foco de incêndio nas proximidades.

Os últimos dias têm sido marcados pelo aumento das temperaturas, que excedem os 40 graus em alguns pontos, e pela ativação de novos alertas de risco de incêndio. Na região de Sydney, onde os termômetros atingiram 41 graus, são temidas condições de calor intenso, ventos fortes e tempestades potenciais que podem agravar a situação.

O Departamento de Meteorologia do estado de Nova Gales do Sul, cuja capital é Sydney e onde existem 84 focos de incêndio, 40 dos quais permanecem descontrolados, indicou que ventos fortes em montanhas altas "aumentam o risco de incêndio". "É possível que (os incêndios) estejam atiçados ou outros comecem", disse Shane Fitzsimmons, chefe dos bombeiros de Nova Gales do Sul, em uma coletiva de imprensa em que destacou a dificuldade. 

Os incêndios florestais, que acontecem desde setembro do ano passado e pioraram durante a véspera de Ano Novo, afetaram mais de um bilhão de animais, além de queimar mais de 2.500 casas.

Esses incêndios, que segundo especialistas são mais intensos devido ao aquecimento global, emitem desde o início mais de 400 megatons de dióxido de carbono na atmosfera, um valor equivalente à média anual de emissões no país, segundo o programa de monitoramento Copernicus.

Uma pesquisa do Instituto Australiano publicada hoje revelou que 57% dos 24,6 milhões de habitantes sentiram o impacto de incêndios e fumaça vindo deles, enquanto 26%, representando mais de 5 milhões de adultos australianos, com problemas de saúde. O relatório também indica que cerca de 1,8 milhão de pessoas não conseguiram trabalhar por causa dos incêndios, uma perda de produtividade estimada em 1,3 bilhão de dólares australianos (894 milhões de dólares ou 806 milhões de euros). "

A Austrália está nas garras de um desastre climático nacional. Os impactos sociais, econômicos e médicos são enormes e estão apenas começando a se tornar aparentes ", disse Tom Swann, pesquisador principal do Instituto da Austrália. /EFE

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