Italian Vigili del Fuoco Firefighters via AP
Italian Vigili del Fuoco Firefighters via AP

Três pessoas são presas por queda de teleférico que matou 14 na Itália

Luigi Nerini, proprietário da 'Ferrovie del Mottarone', Gabriele Tadini, diretor do serviço, e Enrico Perocchio, diretor de operações foram presos sob acusação de saberem que freio de emergência foi desativado propositalmente

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2021 | 07h33

ROMA - Três pessoas foram presas nesta quarta-feira, 26, pela queda do teleférico que liga as cidades de Stresa e Mottarone, na região do Piemonte, no norte da Itália, que causou a morte de 14 pessoas no domingo, 23. De acordo com as autoridades italianas, as prisões foram efetuadas após ser constatados que os suspeitos tinham conhecimento que o freio de emergência do teleférico tinha sido desativado propositalmente para impedir o fechamento da atração.

Após várias horas de interrogatório, foram presos Luigi Nerini, de 56 anos, proprietário da "Ferrovie del Mottarone", Gabriele Tadini, diretor do serviço e Enrico Perocchio, diretor de operações. Eles estão sendo acusados de homicídio múltiplo intencional.

A cabine do teleférico foi, por quase um mês, "uma roleta russa" para quem viajou nele, escreveu o Corrieri della Sera. De acordo com a publicação italiana, quando a atração foi reaberta, depois de um período de fechamento em razão de regras anticovid, os freios de emergência foram desativados para evitar um novo fechamento, por motivo de segurança.

"Quando, na manhã de domingo, a corda de tração se rompeu ao chegar à estação da montanha, a cabine, livre do único obstáculo, tornou-se uma bala, refazendo os últimos 300 metros que havia percorrido a uma velocidade de mais de 100 km/h", diz o jornal.

A promotora Olimpia Bossi, que conduz as investigações, afirmou que "os três detidos estavam, há semanas, a par da avaria no sistema de segurança".

Desde as primeiras inspeções, o sistema de frenagem parecia alterado, pois um garfo em um dos freios de emergência havia sido manipulado para desativá-lo, pois estava causando problemas, paralisando o funcionamento do teleférico. Portanto, no último domingo, quando o cabo de aço da cabine danificada quebrou, o sistema de freios não funcionou.

Bossi explicou que o garfo que mantém o freio à distância e que deve bloquear o cabo suporte em caso de rompimento não foi retirado para "evitar interrupções e bloqueios do teleférico", pois "o sistema apresentava anomalias e teria exigido uma intervenção mais radical, com paralisação prolongada da atividade do teleférico", por isso decidiram não consertar.

As investigações continuam hoje com perícia técnica no local, enquanto, por enquanto, não há mais pessoas sob investigação.

Enquanto isso, é monitorado de perto o estado de saúde de Eitan Biran, de cinco anos, único sobrevivente do acidente - seus pais, irmão e dois de seus bisavós morreram. Nesta terça-feira, a criança começou a acordar do coma induzido e responde de forma "positiva", embora sua situação permaneça "crítica".

Se ficar estável, Eitan poderá ser extubado hoje, segundo o diretor-geral do complexo hospitalar em que está internado, Giovanni La Valle, que explicou que a preocupação agora é "complicações não relacionadas ao sistema neurológico, que está intacto, mas sim as que podem surgir em consequência do politrauma ". / EFE

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