Três presos morrem após supostos suicídios em Guantánamo

Três prisioneiros da base naval de Guantánamo, aparentemente cometeram suicídio, em meio a um protesto de ocupantes do centro de detenção militar dos EUA, em Cuba. Segundo o Departamento de Defesa dos EUA, essas foram as primeiras mortes de supostos terroristas presos no centro. Dois deles eram sauditas e o terceiro era natural do Iêmen. De acordo com um comunicado do Comando do Sudoeste, com base em Miami, os detidos não responderam a estímulos e não respiravam quando foram encontrados em suas celas, na manhã deste sábado. Foram realizadas tentativas de reanimação, mas sem sucesso.Os EUA mantêm cerca de 460 prisioneiros suspeitos de ligações com o Al-Qaeda e o Taleban, na Baía de Guantánamo. A questão provoca tensão na relação do presidente dos EUA, George W. Bush, com aliados que normalmente apóiam outras políticas norte-americanas.Bush, que está descansando na residência presidencial de Camp David, foi informado do incidente. O Departamento de Estado fez contato com os governos dos países nativos dos três prisioneiros, cujos nomes não foram divulgados.No comunicado, os militares afirmaram que "todas as medidas de reanimação foram usadas à exaustão" na tentativa de reanimar os prisioneiros. O texto também afirma que os corpos estavam recebendo todo o respeito devido, uma questão importante para os muçulmanos. InvestigaçõesEmbora os militares tenham atribuído as mortes a um suicídio, o Serviço de Investigação Criminal Naval está investigando o episódio para descobrir as causas e a forma das mortes.Segundo a ONU, manter prisioneiros indefinidamente na prisão de Guantánamo era um desrespeito às regras mundiais de banimento de tortura. O panel da organização determinou, em 19 de maio, que os EUA fechassem o centro de detenção.A chanceler alemã Angela Merkel, o primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Fogh Rasmussen, e o Procurador Geral do Reino Unido, Lord Goldsmith, são algumas autoridades que conclamaram, recentemente, que os EUA fechassem o centro. Em encontro na sexta-feira com Rasmussen, em Camp David, o presidente Bush afirmou que essa era uma de suas metas. "Nós gostaríamos de acabar com Guantánamo, gostaríamos de vê-la vazia", disse. "Mas há alguns prisioneiros que, se colocados nas ruas, criariam um dano grave para os cidadãos norte-americanos e outros habitantes do mundo", acrescentou Bush.Problemas passadosRecentemente, várias ações desafiadoras foram feitas por prisioneiros de Guantánamo, que estão sendo mantidos presos no local há quatro anos e meio. Vários deles alegam inocência.Até agora, autoridades da região estimavam que ocorreram 41 tentativas de suicídio por 25 detidos, mas informavam que nenhuma tinha se concretizado desde que os EUA começaram a levar prisioneiros para a base, em janeiro de 2002. Advogados de defesa contestam a informação, afirmando que houveram muitas outras tentativas. Em agosto, vários detidos iniciaram greves de fome. O número de prisioneiros que se recusaram a se alimentar caiu de 131 para 18 no último fim de semana.

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