Três soldados dos EUA são mortos no Iraque

Três soldados americanos que faziam a segurança de um hospital infantil em Baquba, ao norte de Bagdá, foram mortos hoje de manhã num ataque com granadas que deixou outros quatro militares feridos, informou o comando das forças de ocupação dos EUA. No dia anterior, o aeroporto dessa mesma cidade fora alvo de disparos de morteiros, mas não houve vítimas. Com as baixas de hoje, elevam-se para 161 o número de americanos mortos em combate no Iraque desde o início da invasão em 20 de março - 14 a mais do que na Guerra do Golfo (1991). No balanço desde 1º de maio - data em que os EUA deram por encerrada a guerra - foram 47 mortos em ação, dos quais 8 depois da operação militar que matou os filhos do ex-presidente Saddam Hussein, Uday e Qusay, na terça-feira. Mas, com exceção do ataque em Baquba, o dia de hoje foi relativamente tranqüilo em relação às últimas semanas, quando a média de ações armadas contra as tropas foi de 12 por dia. Baquba fica no chamado Triângulo Sunita, região onde se concentra a resistência armada às tropas dos EUA, basicamente formada por combatentes leais ao antigo regime. Embora não sejam a maioria da população, os muçulmanos sunitas foram privilegiados por Saddam, que discriminou a maioria xiita. Também hoje o diretor do novo Departamento de Polícia de Bagdá, Ahmed Kadhim, e cinco de seus guarda-costas ficaram feridos num tiroteio com bandidos no bairro de Al-Shuala, informou a TV árabe por satélite Al-Jazira. De um hospital, Al-Kadhim disse que delinqüentes têm seqüestrado crianças em Al-Shuala para pedir resgate aos pais. Ainda em Bagdá, soldados americanos mataram um homem que acompanhado de outros, havia colocado uma bomba numa rua. Os EUA ainda não tomaram uma decisão sobre o enterro dos corpos dos filhos de Saddam. O mais provável seria a entrega dos cadáveres a membros do clã dos Husseins, mas os americanos querem evitar que o túmulo se transforme em lugar de peregrinação para os partidários do regime deposto. As tropas, apoiadas por buldôzeres, começaram a demolir hoje a mansão onde Uday e Qusay estavam refugiados. A casa pertencia ao empresário Nawaf al-Zaidan, que enriqueceu graças a seus vínculos com o governista Partido Baath. Al-Zaidan sumiu depois da invasão da casa e há indícios de que foi ele quem informou o Exército sobre o paradeiro dos irmãos. O governo americano não revelou quem era o informante, ao qual pagará a recompensa de US$ 30 milhões (US$ 15 milhões por filho). Os EUA oferecem US$ 25 milhões por Saddam. As tropas dos EUA estão em alerta máximo em Tikrit, terra natal de Saddam, e arredores, na expectativa de localizá-lo. Tikrit se beneficiou do antigo regime e sua população se opõe fortemente à ocupação. Muitos iraquianos ainda duvidam de que Uday e Qusay tenham sido mortos, apesar de os militares americanos terem divulgado suas fotos e convidado um grupo de jornalistas para filmá-los na sexta-feira. Hoje, moradores de Bagdá se aglomeraram diante das bancas de jornais para olhar as fotos. Os militares americanos esperam que a divulgação das imagens convença a população e contribua para reduzir os ataques aos soldados. Na Grã-Bretanha, o diário The Daily Telegraph informou que o primeiro-ministro britânico Tony Blair não pensa em renunciar ao cargo, mas em concorrer a um novo mandato, conforme revelou a amigos. Segundo fontes do jornal, Blair tem planos de governar até o fim desta década.

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