Treze anos depois da queda, Taleban ainda é fantasma entre afegãos

Treze anos depois dos atentados de 11 de Setembro, o Afeganistão continua em estado de guerra, na mais duradoura consequência dos ataques simbolizados pela derrubada das Torres Gêmeas em Nova York. Em Cabul, o governo enfrenta a insurgência do fundamentalismo islâmico que a invasão dos EUA prometia eliminar, enquanto a população sofre os efeitos colaterais da ação de tropas estrangeiras.

DIÁRIO , DE CABUL, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2014 | 02h03

Ontem, 14 civis foram mortos por ataques aéreos da coalizão internacional na Província de Kunar, segundo o governo local. Entre eles, havia duas crianças. Outras 13 pessoas ficaram feridas. O aumento dos atentados transformou Cabul numa sucessão de bunkers, com hotéis escondidos atrás de muralhas e um contingente de homens armados. A frequência de ataques com bombas aumentou, mas são poucos os afegãos que podem se refugiar atrás da segurança particular.

A missão da ONU no país registrou 4.853 mortes de civis afegãos no primeiro semestre de 2014, um aumento de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior. Desse total, 74% morreram em confrontos ou ataques de insurgentes. Outros 9% foram vítimas das forças governistas, entre as quais a coalizão internacional.

Apesar de se ressentirem das mortes de inocentes pelas tropas estrangeiras, a maioria dos afegãos quer que elas permaneçam. No ano passado, uma assembleia dos "anciãos", a Loya Jirga, aprovou o Acordo de Segurança Bilateral (ASB) com os EUA, que abre caminho para a manutenção de soldados americanos no Afeganistão após 2014. O documento precisa ser assinado pelo presidente do país, mas não se sabe até agora quem ele será nem quando tomará posse. Os afegãos temem que a retirada dos estrangeiros fortaleça os insurgentes, entre os quais o Taleban, que governava o país em 2001 e foi acusado pelo governo de George W. Bush de abrigar e proteger Osama bin Laden e a Al-Qaeda.

Não seria a primeira vez que os afegão se sentiriam abandonados pelos EUA. Na lógica da Guerra Fria, os americanos apoiaram os guerrilheiros islâmicos que lutaram contra a ocupação soviética, entre 1979 e 1989. Com a saída de Moscou, o interesse de Washington pelo país também diminuiu. O Afeganistão mergulhou em uma guerra civil que culminou na vitória do Taleban, em 1996. Treze anos depois, o risco de fragmentação ameaça levar o país de volta a um cenário de conflagração interna ou de fortalecimento do extremismo islâmico.

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