Scott Olson/Getty Images/AFP
Scott Olson/Getty Images/AFP

Tribo Sioux conquista desvio de oleoduto de reserva

Trump tem ações da empresa que constrói obra em rota de reserva indígena na Dakota do Norte

O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2016 | 05h00

CANNON BALL, EUA  - Após uma grande campanha em que contou com o reforço de artistas de Hollywood, a tribo Sioux da reserva indígena de Standing Rock obteve uma vitória histórica em sua batalha para bloquear a passagem de um oleoduto bilionário perto de sua reserva, no Estado americano de Dakota do Norte. O Departamento de Exército dos Estados Unidos, responsável pelo projeto, informou que buscará uma rota alternativa para o chamado Dakota Access, estimado em US$ 3,7 bilhões. 

De acordo com o projeto, o trajeto do oleoduto atravessaria o Estado de Dakota do Norte, passando pela reserva próxima do lago artificial Oahe, abastecido pelo Rio Missouri. O lago é fonte de água potável para os indígenas. 

A causa dos nativos foi abraçada por estrelas do cinema americano como a atriz Shailene Woodley – que chegou a ser presa durante um protesto – e Mark Ruffalo. A luta levou milhares de ativistas para a região – eles passaram a morar em acampamentos e tendas típicas indígenas. 

“A melhor maneira de completar esse trabalho de maneira responsável e eficiente é explorar rotas alternativas para a passagem do oleoduto”, declarou a secretária-assistente de trabalhos civis do Exército americano, Jo-Ellen Darcy, em um comunicado. A decisão pode dar início a uma longa revisão ambiental para bloquear o oleoduto, o que poderia durar meses ou anos. 

Indígenas e ambientalistas alegavam que a perfuração do oleoduto poderia poluir o Lago Oahe e afetar, além dos moradores da reserva, outros 18 milhões de habitantes que são abastecidos pela água da bacia do Missouri. Os Sioux também tiveram apoio de outras tribos. 

“Não sei exatamente como colocar em palavras o quanto estou orgulhoso da nossa gente. E não falo apenas da comunidade indígena desse continente, mas das pessoas que nos apoiaram”, afirmou Jon Eagle, porta-voz da tribo. 

A suspensão ocorre nos derradeiros dias do governo de Barack Obama, que revelou em novembro que o Corpo de Engenheiros do Exército já estava estudando a possibilidade de uma rota alternativa. 

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, talvez tenha uma visão diferente do projeto. O republicano disse nas últimas semanas que é partidário da ideia de concluir o oleoduto de 1.888 quilômetros, que cruza quatro Estados e está quase pronto.

A capacidade do projeto é de transportar 500 mil barris de petróleo bruto por dia de campos localizados no oeste de Dakota do Norte até um terminal no Estado de Illinois, no centro-oeste americano. 

Trump possui ações da empresa que está construindo o oleoduto, a Energy Transfer Partners, mas diz que seu apoio à obra não tem relação com seus investimentos. / NYT

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