Christophe Karaba/Efe
Christophe Karaba/Efe

Tribos e milícias declaram Leste da Líbia semiautônomo

Região, rica em petróleo, terá seu próprio Parlamento, polícia, tribunais e capital - a cidade de Bengazi

AE, Agência Estado

06 de março de 2012 | 14h27

BENGAZI - Líderes tribais e comandantes de milícias declararam como semiautônoma a região do Leste da Líbia, conhecida como Barca (Cirenaica), em uma medida unilateral e não reconhecida pelo governo central líbio de Tripoli. Políticos e líderes tribais disseram em Bengazi que a região, rica em petróleo, terá seu próprio Parlamento, polícia, tribunais e capital - a própria cidade de Bengazi.

 

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Políticos contrários à medida, em Tripoli, temem que esse seja o primeiro passo para a desintegração territorial da Líbia após a queda de Muamar Kadafi no ano passado.

O território de Barca cobre quase metade da Líbia, do Mediterrâneo até as fronteiras com o Chade e o Sudão no sul e o Egito no leste. Correspondente aproximadamente à província italiana da Cirenaica, entre 1911 e 1943, quando a Líbia foi colônia da Itália e também à província de Barca (barqa, em árabe) que existiu entre 1951 e 1969, quando a Líbia foi uma monarquia.

O Conselho Nacional de Transição (CNT) da Líbia, sediado na capital Tripoli, expressou várias vezes sua oposição à criação de um Leste da Líbia semiautônomo, alertando que isso poderá levar à desintegração do país magrebino de 6 milhões de habitantes. "Isso é muito perigoso. Esse é um chamado manifesto para a fragmentação. Nós o rejeitamos totalmente", disse Fathi Baja, chefe do comitê político do CNT em Tripoli. "Nós somos contra as divisões e contra qualquer medida que atinja a unidade do povo líbio", disse.

A declaração feita em Bengazi coloca em evidência a fragilidade do governo do CNT líbio, que em grande parte tem sido incapaz de estabelecer sua autoridade sobre o país desde a queda de Kadafi em agosto e a morte do ex-governante em outubro. Na realidade, o CNT possui pouca autoridade até mesmo em Tripoli, onde milícias foram criadas durante a guerra civil e estabeleceram poderes locais nos bairros.

O primeiro-ministro do governo interino do CNT, Abdel-Karim el-Kib, reconheceu na segunda-feira que o governo não consegue firmar sua autoridade. "O governo não faz o seu trabalho. Minha avaliação do seu desempenho não é boa", disse el-Kib, em entrevista à televisão líbia. "Os passos que tomamos são lentos". O CNT pediu a realização de eleições em junho para escolher um Parlamento de 200 membros, o qual nomeará um primeiro-ministro que formará um novo governo para escrever uma nova Constituição.

A conferência que ocorre nesta terça-feira, 6, em Bengazi também ilustrou uma das fraquezas fundamentais da Líbia pós-Kadafi - a falta de instituições políticas. Durante seus quase 42 anos no poder, Kadafi impediu que qualquer outro poder político tivesse força e concentrou todo o poder nas mãos. Como resultado, desde a queda do governo Kadafi em agosto, quando Tripoli foi tomada, cidades, vilarejos e tribos ao redor da Líbia tomaram a autoridade nas próprias mãos, agindo como querem.

O poder local em alguns centros - às vezes, competindo entre si - rejeitou e frequentemente derrubou as tentativas do CNT de estabelecer qualquer controle nacional. A declaração de semi autonomia feita hoje tem como objetivo criar um sistema político federal, antes mesmo que ele seja criado pelo CNT ou pelo conjunto da população.

As informações são da Associated Press.

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