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Tribos tomam bases e ampliam crise no Iêmen

Protestos contra Saleh, no poder desde 1979, se intensificam e deixaram mais 18 mortos ontem; total de mortes desde segunda-feira chega a 124

AP e NYT, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2011 | 00h00

Os combates entre tribos rebeldes e tropas do ditador iemenita, Ali Abdullah Saleh, espalharam-se ontem para além da capital, Sanaa. Homens da confederação Hashi, que se juntaram aos protestos pela saída do presidente, tomaram duas bases militares do governo, que reagiu com bombardeios. Ao menos 18 pessoas morreram.

Após a perda das bases, a Força Aérea iemenita tentou retomá-las com ataques de helicópteros contra áreas ao redor de um posto de controle, conhecido como Al-Fardha. Com as vítimas de ontem, o número de mortos nos confrontos no país desde segunda-feira subiu para 124.

Al-Fardha é o principal posto de controle entre Sanaa e a Província de Mareb, no leste do Iêmen, e tem uma localização estratégica para o governo de Saleh, que tentou isolar a capital para impedir os combatentes tribais de se juntarem aos protestos que desde fevereiro tomaram as ruas da cidade. Os rebeldes também assumiram o comando de uma importante via de acesso a Sanaa pelo leste, de acordo com testemunhas.

À noite, o posto de controle seguia em poder da oposição, enquanto cerca de 30 soldados batiam em retirada rumo à capital. O caminho até a cidade, no entanto, fora bloqueado por combatentes leais a Saleh.

Em Sanaa, registrou-se uma redução da violência. Saleh cancelou seu comício semanal, que costuma atrair milhares de partidários do governo vindos de fora da capital e, em meio ao temor de que a violência continuasse, os protestos da oposição não foram tão grandes quanto nas semanas anteriores.

Negociações. A relativa calmaria instalou-se enquanto representantes do governo de Saleh se reuniram nos últimos dois dias com representantes das tribos leais à família Ahmar, uma importante liderança da oposição iemenita.

Os confrontos tinham se agravado nesta semana depois de Saleh rejeitar, pela terceira vez, assinar um acordo para deixar o poder. Os esforços anteriores de mediação entre as forças do governo e os combatentes de Ahmar entraram em colapso depois que um grupo de xeques tribais foi atacado.

Em comunicado conjunto emitido ontem durante a reunião do G-8 na França, líderes ocidentais condenaram o "uso da violência como resposta aos protestos pacíficos em todo o Iêmen".

Saleh tem sido um aliado dos Estados Unidos na luta contra a Al-Qaeda da Península Arábica, que atua no Iêmen, mas agora funcionários do governo americano consideram pressionar pela aprovação de resoluções das Nações Unidas - ou sanções - como forma de convencer o presidente - desde 1978 no poder - a deixar o cargo.

 

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