Hussein Tallal / AP
Hussein Tallal / AP

Tribunal absolve Mubarak e egípcios se revoltam

As acusações contra o ex-presidente pela morte de ativistas durante a revolta de 2011 foram retiradas; veículos armados e homens da força de segurança bloqueiam o acesso à Praça Tahrir, coração dos protestos de 2011

O Estado de S. Paulo

29 de novembro de 2014 | 16h24

CAIRO - Centenas de manifestantes se reuniram nas ruas do centro de Cairo na noite deste sábado (horário local), 29, para demonstrar insatisfação com a decisão de um tribunal egípcio de retirar, hoje mais cedo, as acusações contra o ex-presidente Hosni Mubarak pela morte de ativistas durante a revolta de 2011. Veículos armados e homens da força de segurança bloquearam o acesso à Praça Tahrir, coração dos protestos que, em fevereiro de 2011, derrubou o ex-presidente.

Mubarak, de 86 anos, foi condenado à prisão perpétua em 2012 por conspirar para assassinar 239 manifestantes, semeando o caos e criando um vácuo de segurança durante a revolta de 18 dias. Ontem, porém, um tribunal de apelações ordenou um novo julgamento para Mubarak. "Sinto que não fiz nada de errado", disse Mubarak ontem, no tribunal. 

Seus partidários comemoraram quando o veredicto deste novo julgamento, que também inocentou o ex-ministro do Interior Habib al-Adly e seis assessores, foi lido. Os réus negaram as acusações. O tribunal afirmou que as acusações criminais nunca deveriam ter sido apresentadas contra Mubarak nesse caso. No entanto, ainda cabe recurso, e o ex-líder não foi libertado porque cumpre uma pena de três anos em um caso separado de desvio de fundos.

A derrubada de Mubarak levou o país à primeira eleição livre, mas o vencedor, o islâmico Mohamed Morsi, foi deposto no ano passado pelo então chefe do Exército Abdel-Fattah al-Sissi, na sequência de protestos contra o seu governo. Sissi, que ganhou uma eleição presidencial em maio, lançou uma ofensiva contra Morsi e sua Irmandade Muçulmana. Autoridades prenderam milhares de apoiadores da Irmandade e condenaram à morte centenas de pessoas em julgamentos coletivos criticados internacionalmente.

Em contrapartida, figuras da era Mubarak estão lentamente sendo inocentadas das acusações e uma série de leis que reduzem as liberdades políticas tem aumentando os temores entre ativistas de que a velha liderança possa estar recuperando influência. O veredicto deste sábado foi visto por ativistas como o mais recente sinal de que os direitos conquistados em 2011 estavam sendo anulados.

"É um veredicto político. O Judiciário tem adiado (o julgamento) por quatro anos para que pudesse inocentá-lo no momento em que o povo tivesse perdido a esperança", disse à agência Reuters o pai de Ahmed Khaleefa, de 19 anos, que foi morto em 2011, no lado de fora do tribunal. "O veredicto nos atingiu como balas. Considero que meu filho Ahmed morreu hoje." / REUTERS 

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