Tribunal acusa formalmente Saddam de crimes contra humanidade

O tribunal especial que julga o ex-ditador Saddam Hussein o acusou formalmente de crimes contra a humanidade, torturas e detenções maciças, no mesmo dia em que o exército dos EUA anunciou que matou mais de 40 supostos terroristas no Iraque.As acusações contra o ex-presidente iraquiano foram lidas na sessão desta segunda-feira, a 24ª do processo em que Saddam e sete ex-colaboradores são acusados de envolvimento na execução de 148 xiitas em 1983. Os mortos teriam participado de um atentado fracassado contra Saddam no ano anterior.Além de ser acusado de ordenar a execução, Saddam ainda teria mandado torturar mulheres e crianças e deter 399 pessoas supostamente relacionadas com a tentativa de assassinato na localidade de Dujail (60 quilômetros ao norte de Bagdá).Saddam se recusou a se declarar inocente ou culpado das acusações, como determina o procedimento judicial. "Não posso dizer simplesmente sim ou não a isto. (...) Não posso responder rapidamente", afirmou Saddam ao presidente do tribunal, o curdo Rauf Abdelrahman. "O senhor está diante de Saddam Hussein, presidente do Iraque", acrescentou o ex-ditador.Se os oito acusados, entre os quais aparecem o meio-irmão de Saddam, Barzan Ibrahim Al-Hassan, e o ex-vice-presidente do país, Taha Yassin Ramadã, forem considerados culpados, poderão ser condenados à pena de morte.Os acusados negaram as acusações contra eles durante o processo e sustentam que os xiitas executados foram julgados em um processo justo no qual admitiram a participação na tentativa de assassinato do então presidente.Também nesta segunda-feira, vários parlamentares iraquianos mostraram sua esperança de que, em breve, seja anunciada a formação do novo governo. A definição do novo gabinete deverá ajudar a pôr fim à violência no país.O membro da xiita Aliança Unida Iraquiana Abass Al Bayati afirmou à EFE que os negociadores já decidiram a repartição dos ministérios.No entanto, destacou que há divergências com a Frente do Consenso Iraquiano, que reúne os partidos sunitas, a respeito de um cargo ministerial que querem trocar por outro.

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