Tribunal alemão manda prender general argentino

A promotoria pública de Nuremberg, no Estado da Baviera, na Alemanha, emitiu nesta quinta-feira uma ordem internacional de captura contra o ex-general argentino Carlos Guilhermo Suárez Mason, de 77 anos, acusado de ter ordenado o assassinato da estudante alemã de sociologia Elisabeth Kaesemann, em Buenos Aires, em 1977, quando ela estava com 30 anos. Elisabeth vivia no país havia seis anos. Suárez Mason está sob prisão domiciliar na capital argentina, acusado num processo de roubo de bebês durante o regime militar. Ele se mostrou confiante de que o governo do país não o extraditará. Pedido deve ser rechaçado "Já houve outros pedidos como esse rechaçados", publicou a agência argentina de notícias DyN, citando a opinião de vários juízes e ministros sobre a questão e casos anteriores em que o governo negou o pedido. Mesmo que a Argentina não o extradite, se ele sair do país pode ser preso, num caso parecido com o do ex-ditador chileno Augusto Pinochet - detido em Londres em outubro de 1998. Sequestrada, torturada e morta O procurador do Estado da Baviera, Klaus Hubman, disse que uma investigação demonstrou que a moça foi seqüestrada, torturada e assassinada à bala por razões políticas, por ordem do militar. Ele era o chefe do Primeiro Corpo do Exército da capital argentina durante a ditadura (1976-1983). A promotoria pública de Nuremberg - cidade-sede do tribunal que julgou os criminosos nazistas, depois da 2ª Guerra Mundial - concentra os processos contra mais de 60 acusados de assassinato e seqüestro de 12 alemães. A medida desta quinta-feira foi o primeiro pedido de uma corte do país de prisão de repressores argentinos. Estima-se que de 15.000 a 30.000 pessoas desapareceram durante o regime militar da Argentina. "Ele ordenou cada uma das prisões e tinha poder de vida e morte sobre os detidos", disse Hubman. Investigadores de uma corte de Nuremberg concluíram que Elisabeth foi seqüestrada no dia 8 de março de 1977 e confinada no centro clandestino de detenção conhecido como El Vesubio, onde foi torturada. Um comunicado do tribunal especifica que, em 24 de maio de 1977, Elisabeth foi levada algemada até o bairro de Monte Grande, em Buenos Aires, e morta a tiros na nuca e na espinha, junto com outros prisioneiros. O corpo dela foi entregue a seus parentes várias semanas depois, e a polícia informou-lhes que ela fora morta num tiroteiro. Elisabeth foi enterrada em sua cidade natal, Tuebingen.

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