Tribunal condena 25 pessoas por planejarem ataque na França

Um tribunal francês condenou nesta quarta-feira 25 pessoas acusadas de preparar um ataque contra a França em apoio a militantes islâmicos separatistas na Chechênia.A corte condenou 24 acusados por "associação criminosa em uma empreitada terrorista", uma acusação usada pela França para processar suspeitos de envolvimento em ataques. Um outro foi condenado por falsificar documentos.A promotoria alega que o grupo pretendia realizar um ataque em Paris, mas não identificou qual seria o alvo. A embaixada russa, uma delegacia e até a Torre Eiffel foram mencionadas durante os interrogatórios. Os cinco principais suspeitos foram sentenciados a penas que variam entre 8 e 10 anos, enquanto os outros receberam penas menores. Dois foram absolvidos. Com exceção de um réu, todos os outros foram acusados de ajudar militantes islâmicos na Chechênia, no que os promotores descreveram como uma "globalização do movimento da jihad". Armas químicas A promotoria não conseguiu provar as fortes suspeitas de que o grupo planejava um ataque químico, apesar dos investigadores terem encontrado trajes protetores e produtos como a altamente tóxica ricina.Durante a divulgação das sentenças, a corte acatou o pedido da promotoria e sentenciou à pena máxima de 10 anos o suposto especialista químico do grupo, Menad Benchellali. Contudo, o pai de Menad, Chellali Benchellali, um imame em Venissieux, subúrbio da cidade de Lyon, foi condenado a apenas 18 meses de prisão, pena bem menor do que a pedida pela promotoria. O imame Benchellali é acusado de coletar fundos para rebeldes chechenos no porão de sua mesquita.A Família Benchellali esteve no centro do caso. A mãe, o pai e um irmão de Menad também foram julgados por seus papéis no planejamento de um ataque na França. A rede foi desmantelada em duas operações. A primeira delas em dezembro de 2002, quando investigadores invadiram duas casas no subúrbio de Paris e na cidade de Romainville. Durante a operação foram encontradas, materiais químicos e fusíveis. Durante uma segunda operação, realizada em janeiro de 2004, em Venissieux, no sudeste da França, investigadores encontraram produtos químicos, incluindo ricina e desmantelaram o grupo definitivamente. "Essas condenações beneficiam os Estados Unidos, a Argélia e a Rússia", disse a advogada Isabelle Coutant, que representa o acusado Merouane Benhamed. "Eles foram condenados porque são muçulmanos", protestou. A promotora Kostomaroff afirma que o grupo se originou em Chlef, na Argélia, em 1999, quando oito membros recusaram o plano de anistia para insurgentes islâmicos proposto pelo governo argelino. Vários membros então viajaram para a Espanha, França, Itália e para as regiões de fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão enquanto os líderes ficaram em Paris e formaram em 2000 um grupo de apoio para militantes islâmicos separatistas chechenos.

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