AFP PHOTO / NORBERTO DUARTE
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Tribunal condena líder de massacre no Paraguai

Leitura de sentença foi interrompida pelos protestos dos advogados de defesa e alguns dos presentes à sala de audiência, no Palácio da Justiça de Assunção, que gritaram pedindo a liberdade dos acusados e a nulidade do processo judicial

O Estado de S. Paulo

11 de julho de 2016 | 21h39

Um tribunal paraguaio condenou nesta segunda-feira, 11, a 35 anos de prisão o líder do massacre de 17 pessoas - policiais e camponeses - ocorrido no dia 15 de junho de 2012, que precipitou a queda do então presidente Fernando Lugo. No confronto, morreram 6 policiais e 11 camponeses. A Procuradoria não investigou as mortes dos camponeses.

O tribunal aplicou a pena máxima ao líder camponês Rubén Villalba, e sentenciou a 20 e 18 anos de prisão outros três camponeses identificados como seus principais cúmplices. Os juízes consideraram provada a responsabilidade de Villalba no homicídio doloso do delegado Erven Lovera, comandante da operação de despejo que desembocou no massacre. Outros sete condenados receberam penas de entre 4 e 6 anos, incluindo três mulheres, que cumprirão prisão domiciliar.

Os quatro foram condenados por homicídio doloso, invasão de domicílio e outros crimes ocorridos em Curuguaty, 250 km a nordeste de Assunção, durante uma operação policial para retirar camponeses que ocupavam uma fazenda. 

A leitura da sentença foi interrompida pelos protestos dos advogados de defesa e alguns dos presentes à sala de audiência, no Palácio da Justiça de Assunção, que gritaram pedindo a liberdade dos acusados e a nulidade do processo judicial. Os protestos provocaram a saída temporária dos juízes da sala e seu retorno para a leitura das sentenças resolutivas. A leitura integral das sentenças vai acontecer na próxima segunda-feira.

Após o massacre, a Câmara abriu um processo de impeachment e o Senado destituiu - em 22 de junho de 2012 - o então presidente Fernando Lugo, por 39 votos a 4. Lugo, um ex-bispo de esquerda da Igreja Católica ligado ao movimento "bolivariano", foi destituído por "mau desempenho". / AFP e EFE 

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