Tribunal condena miliciano do Timor Leste

As milícias que aterrorizaram o Timor Leste em 1999 e geraram a fuga de mais de 100.000 pessoas de suas casas começam a ser julgadas por tribunais criados pela administração provisória da Organização das Nações Unidas (ONU), em Dili. Hoje, o tribunal especial estabelecido no Timor condenou Anigio de Oliviera, da milícia Mahidi, a quarto anos de prisão. Em 1999, a ONU promoveu um plebiscito que indicou o desejo da população pelo fim da dominação do governo da Indonésia sobre o Timor, que existia de fato desde 1975.Com a vitória dos partidários da independência do Timor, milícias pró-Indonésia começaram uma verdadeira guerra civil na região, que só terminou com a chegada de tropas internacionais.Oliveira, condenado hoje, foi considerado cúmplice no assassinato de Fernando Gomes, em setembro de 1999, e a ONU ressalta que se trata do primeiro caso de um membro de uma milícia a ser punido no Timor Leste.Outros processos estão em andamento em Dili. Um deles envolve os comandantes da milícia KMP, José Cardoso Ferreira e João França da Silva, e testemunhas estão sendo convocadas para se apresentar ao tribunal especial do Timor ainda em abril.O processo dos comandantes da KMP é uma das prioridades da administração da ONU do Timor, liderada pelo brasileiro Sérgio Vieira de Mello.Ferreira e Silva são acusados de terem comandado um massacre na cidade de Lolotoe, próxima à fronteira com o Timor Ocidental (território que faz parte da Indonésia). Ambos são acusados de assassinato, tortura, abuso sexual e de atacar a população civil.O Timor Leste será declarado um país soberano em maio, quando a ONU deixará a região e entregará o governo aos líderes timorenses.

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