Peter Dejong/Efe
Peter Dejong/Efe

Tribunal da ONU condena ex-general servo-bósnio à prisão perpétua

Zdravko Tolimir planejou o assassinato de oito mil muçulmanos eslavos em Srebrenica durante Guerra da Bósnia

AE, Agência Estado

12 de dezembro de 2012 | 17h21

HAIA - O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) sentenciou nesta quarta-feira, 12, o ex-general servo-bósnio Zdravko Tolimir à prisão perpétua, após considerá-lo culpado por genocídio. Tolimir foi considerado o "braço direito" do comandante militar dos sérvios da Bósnia, o general Ratko Mladic, que planejou o assassinato de oito mil muçulmanos eslavos, ou "bosniacos", na cidade de Srebrenica em julho de 1995.

O massacre de Srebrenica ocorreu durante a Guerra da Bósnia (1992-1995). "O acusado não apenas tinha conhecimento total das intenções genocidas dos outros, como compartilhava delas", disse o promotor Christoph Fluegge. "Ele é responsável pelo crime de genocídio."

Mulheres que perderam seus maridos, pais e filhos na matança, a pior na Europa desde a II Guerra Mundial, foram de Sarajevo a Haia assistir à condenação de Tolimir. "Nós ainda estamos vivas para testemunhar aquilo que ocorreu e ainda buscamos pelos ossos dos nossos filhos", disse Munira Subasic, líder do grupo chamado Mães de Srebrenica.

Tolimir, atualmente com 64 anos, é o último ex-comandante dos sérvios da Bósnia a ser condenado por genocídio. A guerra, que durou de 1992 a 1995, também envolveu a Croácia e deixou 100 mil mortos.

Tolimir foi condenado em sete acusações de genocídio, crimes contra a humanidade e assassinato. Ele foi inocentado da acusação de deportar civis.

Mladic e seu mentor, Radovan Karadzic, ainda estão em julgamento em Haia. Os dois também são acusados de serem mentores do massacre de Srebrenica, genocídio e deportação, entre outros crimes.

O exército irregular dos servo-bósnios invadiu o enclave de Srebrenica, onde estavam refugiados civis muçulmanos eslavos, em julho de 1995. As tropas holandesas das Nações Unidas, que ocupavam Srebrenica e deveriam defender os civis, não fizeram nada.

Mulheres e meninas foram retiradas do local por milicianos sérvios, enquanto todos os meninos e homens foram reunidos e executados. Os corpos foram sepultados em valas coletivas.

As informações são da AP

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