Tribunal da ONU contra o Khmer Vermelho faz 1.ª audiência

Duch dirigiu a polícia secreta e comandou o centro de Tuol Sleng, onde morreram de 14 mil a 16 mil pessoas

Associated Press e Efe,

20 de novembro de 2007 | 02h46

O tribunal respaldado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para julgar crimes cometidos pelo regime do Khmer Vermelho no Camboja abriu suas portas nesta terça-feira, 20, para a primeira audiência pública sobre o caso.  O ex-chefe do centro de torturas de Tuol Sleng, Kaing Guek Eav, conhecido como "Duch", compareceu ao tribunal para apelar contra sua detenção antes do julgamento marcado para começar em 2008. Duch foi preso em 10 de maio de 1999 e detido sem julgamento até ser transferido para a custódia do tribunal em julho, quando foi acusado por crimes contra a humanidade. Sua equipe de defesa pretende argumentar que os 8 anos de detenção sem julgamento foram ilegais. A audiência, a primeira com portas abertas ao público, atraiu centenas de pessoas. Duch foi levado ao edifício do tribunal num veículo escoltado por militares armados com fuzis. Mesmo sem ter integrado a cúpula do Khmer Vermelho, Duch dirigiu a polícia secreta e comandou o centro de Tuol Sleng, em uma velha escola em Phnom Penh. No local morreram de 14 mil a 16 mil pessoas, segundo dados do Centro para a Investigação do Genocídio do Camboja. Não está claro se os depoimentos poderão ser utilizados para condenar o réu. Após a sua detenção, ele foi examinado por médicos que diagnosticaram sérios transtornos mentais. Ao ser detido em uma aldeia onde cooperava com uma ONG de ajuda humanitária, Duch afirmou que tinha renunciado a seu passado, que era cristão, e que sua nova missão era propagar a palavra de Deus. Cerca de 1,7 milhão de pessoas morreram de fome, doenças, excesso de trabalho e execuções sob o regime do Khmer Vermelho, que governou o Camboja de abril de 1975 a janeiro de 1979.

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