Tribunal da Venezuela pede prisão de Rosales

Opositor constrange governo do Peru ao criticar Chávez em Lima

EFE, AP E AFP, O Estadao de S.Paulo

23 de abril de 2009 | 00h00

Um dia depois de pedir asilo político ao Peru, o líder opositor venezuelano Manuel Rosales veio a público para denunciar, em Lima, que é "vítima de perseguição" do presidente Hugo Chávez. "(Na Venezuela há um) regime totalitário que viola os direitos humanos, pisoteia a Constituição e persegue quem foi eleito pelo povo", afirmou Rosales, num duro discurso transmitido pelas TVs venezuelanas, no qual se referiu a Chávez como "golpista", "ditador" e "covarde". "Em breve voltarei (à Venezuela): a tirania, como tudo, tem seu tempo - e nós vamos seguir lutando."Ontem, uma corte venezuelana emitiu uma ordem de prisão contra Rosales, que é acusado de não justificar US$ 60 mil incorporados a sua declaração de patrimônio entre 2002 e 2004, período em que era governador do Estado petrolífero de Zulia. A captura do opositor também foi solicitada à Interpol.Segundo o tribunal, a prisão foi decretada porque Rosales "demonstrou não estar disposto a responder ao processo" na Venezuela. Mas o líder opositor alega que não se apresentou à Justiça porque os magistrados responsáveis pelo caso não estavam analisando com seriedade as provas de sua inocência. Rosales disse que decidiu pedir asilo ao Peru porque o país deve crescer economicamente e "tem uma tendência forte ao respeito às instituições, aos valores da democracia e aos direitos humanos". O chanceler peruano, José Antonio García Belaúnde, afirmou que seu governo espera dar em "um par de semanas" uma resposta à solicitação de asilo de Rosales, mas pediu que o opositor venezuelano não use o Peru como "plataforma política". "O Peru não pode ser utilizado como plataforma política por nenhum estrangeiro - isso violaria a própria natureza do refúgio ou asilo político", afirmou García Belaúnde, numa sessão na qual o Conselho de Ministros peruano começou a avaliar o pedido do político. Eleito prefeito de Maracaibo (a segunda maior cidade da Venezuela) nas eleições regionais de novembro, Rosales é um dos fundadores do partido opositor Um Novo Tempo. Em 2007, ele foi derrotado por Chávez nas eleições presidenciais, nas quais obteve 37% dos votos. No ano passado, o próprio presidente ameaçou prendê-lo. "Estou decidido a meter Rosales na cadeia", afirmou Chávez, em novembro. "Um ladrão como esse não pode ficar livre, nem governar." Bastante popular em Zulia, o opositor era um dos nomes da lista dos possíveis candidatos para enfrentar Chávez nas eleições de 2012. OPOSIÇÃO NA MIRAHoje, 272 políticos, opositores ou dissidentes, estão impedidos pela Justiça venezuelana de participar de eleições por 15 anos. Pelo menos 20 ficaram detidos por até seis anos sem uma sentença judicial. Entre os críticos de Chávez que estão presos ou respondem a processo há líderes estudantis (mais de 200 estudantes estão impedidos de deixar o país), empresários, jornalistas e militares. O ex-ministro da Defesa general Raúl Isaías Baduel, por exemplo, foi detido no início do mês por supostamente desviar recursos das Forças Armadas. Já o jornalista Teodoro Petkoff é acusado de não ter declarado bens herdados da mãe nos anos 70. Enquanto isso, praticamente nenhum chavista de peso está sendo processado, apesar das inúmeras denúncias de corrupção, improbidade administrativa e fraude fiscal feitas pela oposição. Desde as eleições regionais, Chávez também tomou uma série de medidas para esvaziar o poder de governadores e prefeitos opositores. O controle de portos, aeroportos, escolas, hospitais e outras instituições e serviços públicos foi passado, por meio de leis e decretos, das mãos de governos locais para o central.

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