Tribunal de Haia indicia líder servo-croata

O tribunal estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Haia para julgar crimes de guerra cometidos na ex-Iugoslávia emitiu nesta terça-feira um indiciamento contra o ex-líder servo-croata Milan Babic. O documento contém cinco acusações de crimes de guerra supostamente cometidos por ele durante uma campanha de limpeza étnica em algumas regiões da Croácia no início das guerras que assolaram os Bálcãs na década de 90. Babic, de 47 anos, é acusado de buscar a expulsão de croatas étnicos e outros não-sérvios para outras regiões da Croácia com o objetivo de formar um "novo Estado dominado pelos sérvios", acusa a promotoria. Ainda segundo a acusação, ele tinha como aliado Slobodan Milosevic, então presidente da Sérvia. Babic testemunhou contra Milosevic há aproximadamente um ano. Ele acusou o ex-líder sérvio de inflamar a guerra na Croácia. Babic era um importante líder servo-croata e tornou-se presidente da separatista República da Krajina em 1991, quando a minoria sérvia da Croácia rebelou-se depois de Zagreb ter declarado independência da Iugoslávia. Enquanto isso, Borisav Jovic, que era o representante da Sérvia no governo federal da Iugoslávia antes da Guerra dos Bálcãs, declarou hoje perante o tribunal que, apesar de Milosevic exercer seu poder além das fronteiras sérvias, ele não tinha conhecimento das atrocidades cometidas por soldados sérvios na Croácia. Jovic é apontado como um potencial suspeito de crimes de guerra no indiciamento que pesa contra Milosevic. Até o momento, porém, ele não foi indiciado pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia. Em Belgrado, o líder pró-democracia Dragoljub Micunovic alertou que os defensores dos valores democráticos devem superar suas diferenças e se aliar. Caso contrário, correm o risco de perder para simpatizantes de Milosevic nas eleições previstas para o mês que vem.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.