Tribunal de Haia não é 'moralmente capacitado', diz Bashir

Presidente do Sudão afirmou ainda que EUA e Europa são os que devem sentar perante o TPI

Efe,

05 de março de 2009 | 06h48

O presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, assegurou nesta quinta-feira, 5, que o Tribunal Penal Internacional (TPI) não está "moralmente capacitado" para emitir uma ordem de detenção contra ele. Ele disse ainda que os Estados Unidos e os países europeus são os que devem sentar perante o Tribunal Penal Internacional (TPI). Veja também:'Se há 300 mil mortos, que nos mostrem os cemitérios'Decisão de Haia agravará guerra em Darfur, diz BashirGoverno expulsa 10 organizações de ajuda estrangeiras  Blog: Darfur, enfim, tem um réu. E agora, Lula? Especial: os conflitos no Sudão e a crise em Darfur TV Estadão: Google Earth mostra devastação no Sudão Militares e fundamentalistas levaram Bashir ao poder "Os mentirosos e os verdadeiros criminosos na Europa e nos EUA querem julgar os honoráveis. Os que roubaram a riqueza dos povos são os que têm que sentar frente ao tribunal", disse Bashir perante milhares de pessoas reunidas na capital. O líder, que deve participar de uma manifestação na capital sudanesa, disse ainda que responderá à decisão do TPI com "mais esforços para alcançar a paz". "Aqueles que emitiram uma ordem de detenção não estão qualificados moral ou objetivamente para tomar essas decisões e medidas, porque são responsáveis pela humilhação e saque da riqueza dos povos", assegurou Bashir, em um breve discurso televisionado. Fora isso, Bashir afirmou que "os que atacam Gaza com todo tipo de armas são os que devem ser levados perante a Justiça", em referência à operação militar lançada por Israel contra a Faixa entre dezembro e janeiro. O presidente, vestido como civil e mostrando grande serenidade, ressaltou que a ordem do tribunal com sede em Haia não tinha sido ditada apenas contra ele, mas contra "todos os estados que rejeitam a política" dos países ocidentais. "O Sudão, que rejeitou todo tipo de humilhação e que resistiu ao colonialismo, não pode aceitar o retorno desse colonialismo outra vez", declarou. O conflito de Darfur, no oeste do Sudão, eclodiu em fevereiro de 2003 quando dois grupos rebeldes pegaram em armas contra o regime de Cartum, em protesto pela pobreza e a marginalização que atingiam os habitantes da região. Foi o primeiro discurso público do presidente sudanês depois que na quarta-feira o TPI emitisse uma ordem de detenção internacional contra ele, por sua suposta relação com crimes de guerra e lesa-humanidade durante o conflito armado de Darfur.

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