Lam Yik Fei / The New York Times
Lam Yik Fei / The New York Times

Tribunal de Hong Kong liberta 43 acusados de 'revolta' em protestos

Apesar da libertação, acusados terão de se submeter a toque de recolher e estão proibidos de deixar a ilha; eles haviam sido presos durante as manifestações contra a influência chinesa sobre Hong Kong

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2019 | 10h46

Um tribunal de Hong Kong libertou 43 dos 44 acusados de "revolta", um crime punido com até dez anos de prisão, durante a manifestação não autorizada realizada no domingo, 28. Eles foram libertados nesta quarta-feira, 31. Na mesma audiência, o tribunal emitiu uma ordem de detenção contra o outro indiciado no caso, que não compareceu à audiência.

O tribunal determinou que todos eles estarão sob um toque de recolher entre meia-noite e seis da manhã e estão proibidos de sair de Hong Kong. Um dos detidos foi acusado ainda de agredir um agente da polícia durante os protestos.

Além disso, foi libertado sob fiança um estudante acusado de posse de armas, mas não de revolta, o que elevou o número total de indiciados para 45. A maioria dos detidos têm menos de 30 anos, e entre eles há uma mulher de 16 anos. A próxima audiência judicial do caso foi marcada para o próximo dia 25 de setembro.

A polícia prendeu 49 pessoas entre 16 e 41 anos após a manifestação, das quais quatro ainda não foram acusadas formalmente: duas estão em liberdade sob fiança enquanto são investigadas e as outras duas "temporariamente liberadas".

Centenas de simpatizantes se reuniram hoje às portas do tribunal apesar das fortes chuvas e do alerta pela chegada do tufão Wipha, gritando palavras de ordem como "Não há revolta, só tirania" e "Recuperem Hong Kong".

A polícia advertiu no domingo que os manifestantes incorriam em um crime de manifestação ilegal, penalizado com entre três e cinco anos de prisão, mas, "após investigar e receber conselho legal", a instituição anunciou ontem à noite que acusava formalmente 44 dos detidos de revolta, que acarreta penas mais graves, dentre cinco e dez anos de detenção.

No domingo, as autoridades tinham autorizado um comício, mas não uma passeata, o que não impediu que milhares de pessoas inundassem as ruas do distrito financeiro da ilha de Hong Kong, onde alguns manifestantes atacaram os policiais com tijolos e outros objetos, e estes responderam disparando bombas de gás lacrimogêneo.

Ao final dos protestos, além dos 49 detidos, as autoridades informaram que 16 pessoas tinham ficado feridas. Outras sete tiveram que ser atendidas ontem depois que um carro lançou fogos de artifício contra um grupo de manifestantes perto de uma delegacia em um bairro periférico do território.

China pede punições aos autores da violência

China pediu nesta segunda-feira ao Executivo de Hong Kong que aplique punições aos autores da violência nas manifestações e "restabeleça a ordem rapidamente". Durante uma entrevista coletiva em Pequim, uma funcionária do Escritório de Negócios de Hong Kong e Macao, órgão chinês encarregado das relações com a cidade do sul do território, afirmou que as manifestações dos últimos meses haviam "comprometido gravemente" a prosperidade e a estabilidade da região.

"Acreditamos que, por enquanto, a tarefa prioritária de Hong Kong é punir os atos violentos e ilegais conforme a lei, restabelecer a ordem rapidamente e manter um ambiente propício para os negócios", declarou a porta-voz do escritório, Xu Luying.

Câmara de Comércio Americana (AmCham), cada vez mais preocupada com as consequências das manifestações e da violência na ex-colônia britânica, pediu às autoridades de Hong Kong que respondam à indignação de parte da população.

A instituição indicou em um comunicado que uma "clara maioria" de seus membros acredita que os dirigentes de Hong Kong teriam de fazer mais para responder às demandas dos manifestantes. A AmCham citou como exemplo de medidas a serem tomadas a necessidade de uma investigação pública sobre a violência cometida por uma parte ou outra, assim como a retirada definitiva do projeto de lei sobre as extradições à China, o que teria desencadeado os protestos. / EFE e AFP

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