Tribunal de Serra Leoa condena três por crimes de guerra

Acusados negaram crimes de terrorismo, uso de crianças no Exército e escravidão

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 13h07

Uma corte internacional responsável por julgar os principais responsáveis pelas brutalidades cometidas durante a guerra civil de Serra Leoa divulgou seus primeiros veredictos nesta quarta-feira, 20, culpando três ex-líderes da junta que aterrorizou o país. O tribunal considerou os três réus culpados por 11 das 14 acusações, que incluem terrorismo, uso de crianças como soldados, escravidão, estupro e assassinato. Não houve condenação pelos crimes de escravidão sexual e atos inumanos relacionados à violência sexual. Os três também foram absolvidos pela acusação de "outros atos inumanos" relacionados com violência física.A corte foi estabelecida após o fim da guerra, em 2002, com o objetivo de processar os responsáveis pelo conflito que devastou este pequeno país da África Ocidental e se expandiu para Libéria. Ao todo, 12 pessoas foram indiciadas, incluindo o ex-presidente Liberiano Charles Taylor, que é acusado de ter patrocinado os rebeldes de Serra Leoa.Os três réus condenados nesta quarta-feira em Freetown, a capital do país, negaram responsabilidade em todas as acusações, todas ligadas ao comando de uma junta que estuprava mulheres, queimava vilas, aliciava menores para o combate e forçava pessoas a trabalhar em minas de diamante. Alex Tamba Brima, Brima Bazzy Kamara e Santigie Borbor Kanu foram indiciados em 2003 como os supostos líderes do grupo, chamado Conselho das Forças Armadas Revolucionárias. O grupo de militares derrubou o governo de Serra Leoa em 1997 e, com o auxílio dos rebeldes, tem o poder do país desde 1998, de acordo com o processo.A condenação marca um divisor de águas, segundo Corinne Dufka, investigadora dos Direitos Humanos."Esta é a primeira vez que um tribunal internacional chegou a um veredito sobre o recrutamento infantil", disse. Estima-se que cerca de meio milhão de pessoas foram vítimas de assassinatos, mutilações e outras atrocidades durante o conflito no país, no qual diamantes ilegais alimentaram anos de devastação.Os argumentos finais do caso contra os três condenados terminaram em dezembro de 2006. Outros cinco acusados aguardam o veredito em Freetown.Muitas pessoas criticaram a Corte Especial por não apresentar progressos rápidos o suficiente. Três dos indiciados morreram durante o decorrer do processo - dois de causas naturais e um foi assassinado no que muitos acreditam que tenha sido uma tentativa de silenciar o réu.O julgamento do ex-presidente começou no início do mês em Haia, na Holanda. Ele foi realizado fora de Serra Leoa para evitar uma onda de violência, embora tenha ficado sob proteção do tribunal do país.

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