Tribunal decide hoje liberdade do criador do WikiLeaks

O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, já se encontra em um tribunal de Londres para a audiência desta quinta-feira que decide se ele sairá da prisão pagando fiança, após mais de uma semana detido. Assange se entregou à polícia na semana passada, pois é procurado pela Justiça da Suécia por supostos crimes sexuais.

AE, Agência Estado

16 de dezembro de 2010 | 09h53

O australiano de 39 anos está sendo mantido em uma solitária quase ininterruptamente desde sua prisão, no dia 7. Ele obteve o direito à fiança na terça-feira, mas terá de usar um monitoramento eletrônico, não poderá mudar de endereço e ainda terá de pagar 200 mil libras como fiança. Os promotores que representam a Suécia, porém, apelaram da decisão. Esses promotores apresentarão seus argumentos na audiência de hoje.

A Suécia quer extraditar Assange do Reino Unido para que ele seja interrogado nos casos de crimes sexuais envolvendo duas mulheres suecas em agosto. Ele nega ter cometido crime algum e seus advogados veem motivações políticas nos casos. A prisão coincidiu com o início da divulgação de cerca de 250 mil documentos diplomáticos vazados dos Estados Unidos pelo WikiLeaks. O vazamento enfureceu Washington.

O processo de extradição pode levar meses. Um dos advogados de Assange, Mark Stephens, disse acreditar que o dinheiro da fiança possa ser conseguido ainda hoje. O diretor de documentários norte-americano Michael Moore, o cineasta britânico Ken Loach e a socialite Bianca Jagger estão entre os que contribuem para se chegar ao montante.

Conspiração

Promotores federais dos EUA tentam elaborar um caso contra Assange e buscam evidências de conspiração em seus contatos iniciais com um analista de inteligência do Exército suspeito de vazar a informação, informou ontem em seu site o jornal The New York Times. O diário não citou a fonte da reportagem.

Funcionários do Departamento de Justiça dos EUA tentam determinar se Assange encorajou ou ajudou Bradley Manning a obter documentos secretos do sistema de computação do governo, afirma o jornal. Os promotores avaliam materiais que incluem chats online, com os quais Manning afirma ter se comunicado com Assange usando um serviço de conferências pela internet criptografado, enquanto o soldado baixava os arquivos do governo, diz a reportagem.

O NYT informou que os funcionários do Departamento de Justiça não quiseram comentar o caso, mas uma pessoa familiar com o tema disse que o departamento parecia interessado em processar Assange como um conspirador auxiliar no caso, pois o órgão busca transformá-lo em um exemplo, para evitar novos vazamentos similares na internet. As informações são da Dow Jones.

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