Asmaa Waguih / Reuters
Asmaa Waguih / Reuters

Tribunal egípcio condena blogueiro a cinco anos de prisão

Alaa Abdel-Fattah foi acusado de incitar uma manifestação 'não autorizada' em novembro; ativista é ícone desde protestos de 2011

O Estado de S. Paulo

23 de fevereiro de 2015 | 10h01

CAIRO - Um tribunal egípcio condenou nesta segunda-feira, 23, a cinco anos de prisão o blogueiro e ativista Alaa Abdel-Fattah, ícone das manifestações de 2011 no país. A decisão mostra a determinação das autoridades em continuar a sufocar a dissidência, apesar da promessa do presidente de libertar "jovens erroneamente detidos".

O veredicto foi dado após o novo julgamento de Abdel-Fattah, que anteriormente havia sido condenado a 15 anos de prisão por organizar um protesto não autorizado e supostamente ter atacado um oficial da polícia.

O jovem também terá de pagar uma multa de 100 mil libras egípcias (cerca de R$ 37 mil). Uma acusação de roubo contra ele foi retirada.


Abdel-Fattah foi acusado de incitar uma manifestação "não autorizada" em 26 de novembro de 2013, contra uma cláusula do projeto de Constituição que permitiria que civis fossem julgados por tribunais militares.

O advogado de defesa Mohammed Abdel-Aziz disse que o veredicto foi "duro e opressivo". "O tribunal não levou em consideração qualquer uma das evidências que mostraram a inocência dos réus", disse ele. Outro advogado de direitos humanos, Taher Abou el-Nasr disse que "infelizmente, o veredicto era esperado".

A defesa vai recorrer ao Tribunal de Cassação do Egito. O jovem ativista já havia declarado que seu julgamento, que inclui outros 19 réus e cinco pessoas julgadas à revelia, é uma farsa e está em greve de fome.

Ahmed Abdel-Rahman, outro réu julgado com o ativista, também foi sentenciado a cinco anos de detenção, enquanto os demais acusados receberam penas de três anos.

Blogueiro controverso, Abdel-Fattah tem entrado e saído da cadeia desde 2011, o ano da queda do ditador Hosni Mubarak. O jovem fez campanha contra o julgamento militar de civis durante os 17 meses em que generais governaram o país após a renúncia de Mubarak e fez oposição ao presidente islamita Mohamed Morsi, que foi democraticamente eleito mas derrubado após um golpe em 2013.

As acusações contra Abdel-Fattah estão apoiadas principalmente numa lei que proíbe a realização de protestos sem autorização prévia do governo, medida colocada em vigor após a queda de Morsi. Ativistas e grupos de direitos humanos criticam a lei como uma forma de conter a dissidência.

Mona Seif, irmã de Abdel-Fattah e uma das organizadoras do protesto de 26 de novembro, disse que seu irmão compareceu à manifestação, mas negou que ele a tenha organizado, afirmando que o evento foi convocado por um grupo de pessoas que fez campanha contra julgamentos militares para civis.

A polícia dispersou a manifestação com violência, alegando que os organizadores não tinham permissão. Mulheres que participavam do protestos, entre elas Seif, foram detidas pela polícia e posteriormente largadas no meio do deserto, fora do Cairo, na mesma noite.

Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que há mais de 20 mil pessoas atrás das grades no Egito atualmente, a maioria islamitas. /AP e EFE

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