Tribunal egípcio quer explicações de corte em comunicação

Um juiz egípcio pediu nesta segunda-feira para ver a ata de uma reunião em que foi tomada a decisão de cortar os serviços de celulares e Internet durante uma revolta que derrubou o presidente Hosni Mubarak, medida que poderia gerar uma controvérsia para as forças militares, atualmente em comando no país.

REUTERS

08 de agosto de 2011 | 13h00

Mubarak, o ex-premiê do Egito e o ministro do Interior foram multados em um total de 540 milhões de libras egípcias (91 milhões de dólares) em maio por cortar os serviços de celulares, medida que foi considerada uma tentativa de dificultar os massivos protestos que ocorriam no país.

Os três estão recorrendo das multas, dizendo que outras autoridades, inclusive o chefe do atual conselho militar que governa o Egito, estavam presentes na reunião ministerial que tomou a decisão e compartilharam a responsabilidade.

O juiz Magdy Hussein el-Agaty, do Tribunal Superior Administrativo que está julgando o processo, adiou o caso até 3 de outubro, afirmando que queria ler a ata da reunião ministerial que Mubarak realizou em 20 de janeiro, além da lista das pessoas que estiveram presentes na reunião.

O advogado do ex-ministro do Interior Habib al-Adli disse ao tribunal que a decisão de multar seu cliente era ilegal porque ignorava a participação do marechal Mohamed Hussein Tantawi, ministro da Defesa na época da revolta, e de outras autoridades.

Tatawi agora chefia o conselho militar que assumiu o controle do país após a deposição de Mubarak.

O advogado de Adli, Mohamed Abdel Azi, disse que Tantawi, além do chefe de inteligência de Mubarak, Omar Suleiman, e outros ministros, também estavam presentes na reunião em que a decisão foi tomada.

O advogado de Mubarak disse que os serviços de celular e internet foram retomados depois que autoridades perceberam que os protestos eram pacíficos, disse o jornal al-Ahram nesta segunda-feira.

O Exército negou o envolvimento de Tantawi na decisão.

As forças militares, que disseram ter assumido um papel neutro na revolta e apenas intervieram para proteger a segurança nacional, vêm enfrentando crescentes críticas pela forma com que realizaram a transição de poder desde a renúncia de Mubarak.

Cerca de 850 pessoas foram mortas durante os 18 dias de protestos que derrubaram o ex-líder, e mais de 6 mil ficaram feridas por tiros, balas de borracha, canhões de água e cacetetes.

Ativistas usaram mensagens de texto e sites na Internet, como o Facebook, para organizar os protestos.

A operadora de telecomunicações Vodafone disse em janeiro que a empresa, além de outras operadoras de celulares, tiveram de seguir ordens das autoridades para suspender os serviços em partes do país durante o auge das demonstrações contra o governo.

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