Tribunal egípcio questiona calendário eleitoral

Um tribunal egípcio mergulhou em confusão o calendário para eleições parlamentares nesta quarta-feira, ordenando o cancelamento do decreto do presidente Mohamed Mursi que pedia a votação e forçando um provável adiamento da eleição que começaria em abril.

MARWA AWAD E YASMINE SALEH, Reuters

06 de março de 2013 | 17h04

O decreto do Tribunal Administrativo aumentou a incerteza política no Egito em uma época de agitação social e crise econômica, com as reservas em moeda estrangeira do país em níveis criticamente baixos e o déficit orçamentário aumentando.

O tribunal disse que tinha submetido a lei eleitoral corrigida do Egito, sob a qual as eleições da câmara baixa devem ser feitas, ao Supremo Tribunal Constitucional para revisão.

O Egito está mergulhado na confusão política e na agitação desde o levante de 2011 que depôs o autocrata Hosni Mubarak. Muitos partidos da oposição anunciaram que boicotariam a votação, que deveria ser realizada em quatro etapas, de 22 de abril até o final de junho.

O gabinete de Mursi disse que embora respeitasse a decisão judicial, apelaria da sentença, que foi dada quando o governo diz querer retomar as negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre um empréstimo de 4,8 bilhões de dólares para sustentar as finanças do Egito.

"Agora é provável que as eleições sejam adiadas, estendendo as incertezas políticas e atrasando ainda mais um possível acordo com o FMI em uma época em que restaurar a confiança na economia é necessário para evitar uma potencial crise econômica", disse Farouk Soussa, economista-chefe no Citi em Dubai.

"Os desafios econômicos do Egito estão se aprofundando dia a dia, enquanto os prospectos de lidar com eles parecem diminuir em um índice igualmente alarmante", ele disse.

É improvável que o FMI conceda o empréstimo enquanto houver distúrbios significantes e uma falta de qualquer forma de consenso político, disse Jason Tuvey, economista-assistente da Capital Economics em Londres.

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