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Eric Gailard/Reuters
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Tribunal francês afirma que grampo em telefone de Sarkozy foi legal

Segundo magistrados, autoridades agiram legalmente ao grampear o telefone do ex-presidente durante a investigação de alegações de tráfico de influência, um golpe em potencial às suas aspirações políticas

Andrei Netto, correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2015 | 16h06

(Atualizada às 17h27) PARIS - A Justiça da França confirmou nesta quinta-feira, 7, que o ex-presidente Nicolas Sarkozy, atual presidente da União por um Movimento Popular (UMP, direita) e virtual candidato ao Palácio do Eliseu em 2017, deve ser levado aos tribunais por corrupção ativa, tráfico de influência e receptação de violação de segredo profissional. O escândalo remonta às investigações do caso Líbia, de 2013, envolvendo suspeitas de financiamento ilegal de campanha.

Sarkozy passou a ser investigado pela Justiça e ter suas ligações telefônicas monitoradas pela polícia por ordem dos juízes de instrução do caso, Claire Thépaut e Patricia Simon, que apuravam as supostas transferências clandestinas de recursos do ditador líbio Muamar Kadafi para a UMP durante a campanha eleitoral de 2007, quando o francês chegou ao Palácio do Eliseu.

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Nessas escutas, descobriu-se que o ex-presidente valia-se de um segundo telefone celular, registrado sob o nome de Paul Bismuth, para dialogar com seu advogado sem ser ouvido. Ao identificarem a linha, os investigadores flagraram o ex-presidente buscando informações privilegiadas, rompendo o segredo de Justiça. Em troca da ajuda de um magistrado, Gilbert Azibert, Sarkozy prometeu interceder para beneficiá-lo, facilitando sua promoção a um posto em Mônaco.

Em seu relatório, o Escritório Central de Luta contra as Infrações Financeiras e Fiscais acusa de maneira formal o ex-presidente: "Os fatos constituem tráfico de influência", afirmam os magistrados, segundo documento obtido pelo jornal Libération. Sarkozy seria ainda denunciado por corrupção ativa e violação do segredo de Justiça. Além dele, são investigados dois ex-ministros do Interior, Claude Guéant e Brice Hortefeux, e o ex-chefe de Polícia de Paris, Michel Gaudin.

Para tentar encerrar a investigação, os advogados de Sarkozy entraram com mandado de segurança pedindo que as escutas fossem consideradas inválidas. Esse recurso foi recusado nesta quinta pela juíza Edith Boizette, da Câmara de Instrução do Tribunal de Apelações de Paris, que acatou as alegações do Ministério Público.

Na prática, as investigações, que ficaram congeladas por oito meses, agora podem ser retomadas, o que deixa o ex-presidente na iminência de ser levado aos tribunais.

A repercussão política do caso ainda é imprevisível, mas analistas entendem que a estratégia de retomada de poder traçada por Sarkozy corre risco de ser abortada. O ex-presidente, de voltou à presidência da UMP com o objetivo de lançar sua candidatura, prepara-se para refundar o partido, que será rebatizado de Les Républicains. Esse seria mais um passo na trajetória do líder de direita na sua busca de retornar ao Palácio do Eliseu após as eleições de 2017, quando deve voltar a enfrentar seu arqui-inimigo, o atual presidente François Hollande, do Partido Socialista (PS).

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