Vahid Salemi / AP
Vahid Salemi / AP

Tribunal iraniano começa a julgar jornalista americano preso há 10 meses

Jason Rezaian, chefe do escritório do Washington Post em Teerã, é acusado de espionar e fazer propaganda contra o governo iraniano

O Estado de S. Paulo

26 de maio de 2015 | 09h13

TEERÃ - Começou nesta terça-feira, em Teerã, no Irã, o julgamento do repórter Jason Rezaian do jornal americano The Washington Post. Rezaian, de 39 anos, está preso no país há 10 meses e é acusado - junto com outras duas pessoas cujas identidades não foram reveladas - de praticar espionagem e fazer propaganda contra o governo iraniano.

De acordo com a Agência de Notícias da República Islâmica, o julgamento é fechado ao público. Um juiz dos Tribunais Revolucionários Islâmicos do Irã, que supervisionam casos envolvendo supostos crimes contra o Estado e outras infrações consideradas especialmente graves, acompanha o caso. 

O julgamento acontece no Tribunal Revolucionário nº 15 da capital iraniana, uma corte especializada em julgar crimes contra o país, presidido pelo juiz Abolghassem Salavati, contra o qual há acusações internacionais de ser linha dura e ter condenado à forca várias pessoas em razão dos distúrbios que ocorreram após a eleição de 2009.

Em um comunicado publicado na segunda-feira, o editor-executivo do Washington Post, Martin Baron, falou sobre as circunstâncias da detenção de Rezaian e as "absurdas acusações" contra ele. Baron afirmou que a mãe de Rezaian e sua esposa, a também jornalista Yeganeh Salehi, foram impedidos de assistir ao julgamento. As agências de notícia iranianas, porém, afirmam que Yeganeh esteve presente na audiência.

"Não há justiça neste sistema, nem mesmo um pouco, e é o destino de um homem bom e inocente que está na balança", disse. "O Irã está fazendo uma declaração sobre os seus valores no seu tratamento vergonhoso do nosso colega e só pode horrorizar a comunidade mundial." Rezaian, que é chefe do escritório do Post em Teerã, nasceu e cresceu na Califórnia, mas também tem cidadania iraniana. 

O governo americano qualificou como "absurdas" as acusações contra o jornalista. Em março, o presidente americano Barack Obama pediu ao governo iraniano que libertasse o jornalista. O Senado dos EUA aprovou em maio uma resolução para reclamar a libertação de três americanos detidos no Irã, incluindo Rezaian. Mas Teerã, que não reconhece a dupla cidadania, afirma que o caso é de competência exclusiva da justiça iraniana.

O julgamento do jornalista começou a poucas semanas do fim do prazo, no dia 30 de junho, para que o Irã e as grandes potências concluam um acordo histórico sobre o polêmico programa nuclear iraniano. / AP, AFP e EFE

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