Tribunal liberta do pai da bomba atômica do Paquistão

Em prisão domiciliar, Khan era acusado de vender segredos nucleares, inclusive para Irã, Coreia do Norte e Líbia

Agências internacionais,

06 de fevereiro de 2009 | 12h19

O Tribunal Superior de Islamabad suspendeu nesta sexta-feira, 6, a prisão domiciliar do cientista Abdul Qadir Khan, pai da bomba atômica paquistanesa e suspeito de venda de segredos nucleares outros países, inclusive Coreia do Norte, Irã e Líbia. Khan ainda terá que informar às autoridades de seus movimentos dentro do país.   Agora com 72 anos, um sorridente Khan saiu de sua casa e dirigiu-se a jornalistas pela primeira vez de 2004, mas disse que não falaria sobre o programa nuclear paquistanês nem sobre nada referente ao vazamento de segredos. "Não queremos falar sobre coisas do passado", comentou Khan enquanto os guardas que vigiavam sua residência se afastavam em meio à aproximação de uma multidão de jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.   Khan, arquiteto do programa nuclear do país e considerado um herói nacional pelos paquistaneses, assumiu sozinho, em 2004, a responsabilidade pelo vazamento de segredos, mas foi imediatamente perdoado pelo então presidente militar Pervez Musharraf e mantido em um regime de prisão domiciliar de fato. Ao longo dos últimos meses, especialmente depois da queda de Musharraf, os advogados de Khan trabalharam para que seu cliente fosse declarado homem livre.   O juiz Sardar Muhammad Aslam leu a sentença na qual concede a Khan liberdade de movimentos no interior do Paquistão e encerra o confinamento domiciliar a que ele estava submetido desde 2003 por falta de provas pelas acusações de contribuir para a proliferação nuclear. "Estou satisfeito com a decisão da corte. É uma questão entre mim e o governo, não tem nada a ver com os Estados Unidos", declarou à imprensa Khan na porta de sua casa. O cientista pode agora conceder entrevistas à imprensa e expressar livremente suas opiniões, algo a que até agora sofria restrições, como ressaltou o juiz.   Khan descartou as possibilidades de entrar para a política ou de empreender ações legais pelo tempo que esteve sob prisão domiciliar, e afirmando que se dedicará a administrar organizações de caridade e a assessorar instituições educativas. Em julho do ano passado, Khan abriu a polêmica no Paquistão com declarações, que depois foram negadas, sobre a transferência de tecnologia nuclear à Coreia do Norte com o suposto conhecimento do Exército, então comandado pelo ex-presidente Pervez Musharraf.   O cientista confessou, em fevereiro de 2004, pela televisão que revelara segredos nucleares ao Irã, à Líbia e à Coreia do Norte sem autorização de seu governo. No início deste ano, o Governo dos EUA emitiu sanções econômicas contra 13 pessoas e três empresas privadas supostamente vinculadas a uma rede de proliferação nuclear relacionada a Khan. De acordo com o Departamento de Estado americano, Khan chefiou uma extensa rede internacional que promoveu a proliferação de tecnologia nuclear e constituiu um ponto de referência de informação e aquisições para os países que tentavam desenvolver armas nucleares.

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