Tribunal liga terrorista ao governo líbio

Juízes escoceses condenaram hoje, na cidade holandesa de Camp Zeist, um oficial da inteligência líbia por assassinato e o sentenciaram à prisão perpétua, com possibilidade de liberdade condicional depois de 20 anos, pelo atentado que explodiu um Jumbo da Pan Am sobre a cidade de Lockerbie, Escócia, matando 270 pessoas. Um segundo acusado foi declarado inocente. O tribunal anunciou que estava dando a Abdel Basset Ali al-Megrahi, 48 anos, a perspectiva de liberdade condicional em vista de sua idade, e pelo fato de que ele estava trabalhando para um governo estrangeiro."Em vista da horrenda natureza desse crime, nossa recomendação é um período mínimo" de 20 anos de prisão, afirmou o tribunal, três horas depois de ter emitido o veredito de culpado. Num julgamento que pode ter implicações na diplomacia com a Líbia e em ações civis nos Estados Unidos, o tribunal aceitou "a evidência de que ele era um membro da JSO, ocupando postos da alta hierarquia". O JSO é o serviço de inteligência da Líbia.O veredicto foi o clímax de um julgamento que custou US$ 80 milhões e consumiu quase nove meses de audiências numa corte especial holandesa. O tribunal foi montado na Holanda devido a um acordo com o governo líbio, para que o julgamento fosse realizado num país neutro. A Casa Branca anunciou que sanções contra a Líbia permanecerão em vigor, e autoridades americanas disseram que vão continuar investigando o atentado.Al-Siddiq Al-Shibani, um alto funcionário do Ministério do Exterior da Líbia, disse que o veredicto "não significa o fim da história nem o fim do mundo". "O acusado tem uma boa chance na apelação", acrescentou ele, na primeira reação de uma autoridade do governo líbio.Al-Megrahi reafirmou sua inocência, numa indicação de que irá apelar do veredicto e da sentença de prisão perpétua. O juiz que presidiu o tribunal, lord Ranald Sutherland, disse a Lamen Khalifa Fhimah, o segundo acusado: "Você está liberado e tem liberdade para partir". As duas decisões foram tomadas por unanimidade pelos três juízes do tribunal.Abuzed Dorda, embaixador da Líbia nas Nações Unidas, afirmou que o governo líbio respeita a decisão do tribunal, mas não tem nada a ver com o atentado. "A Líbia irá implementar o que concerne ao lado líbio, naturalmente. No caso de qualquer decisão ser tomada pela corte civil escocesa, vamos respeitá-la e implementá-la", disse Dorda. O caso "não tem nada a ver com oficiais líbios", acrescentou.

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