Tribunal mexicano faz reunião para decidir eleições

O Tribunal Eleitoral do México começou uma reunião nesta segunda-feira para resolver a disputa em torno das eleições de 2 de julho. Todas as 375 denúncias apresentadas sobre os resultados oficiais, que deram uma vantagem de 240 mil votos ao candidato do PAN, Felipe Calderón, em relação a André Manuel López Obrador, ex-prefeito da Cidade do México, do PRD.Nesta segunda-feira, também é esperado um resultado sobre a recontagem parcial iniciada no dia 5 de agosto. Mas o México pode não ter um presidente eleito. De acordo com a lei do país, o Tribunal deve resolver todas as disputas eleitorais até dia 31 de agosto.Os resultados de alguns colégios eleitorais ou até de toda a eleição pode ser anulado. O vencedor das eleições deve ser divulgado até dia 6 de setembro.As disputas em dois estados do sul do país agravaram a crise política e grupos ameaçaram invadir embaixadas.López Obrador organizou manifestações e bloqueios das principais ruas da Cidade do México, afirmando que uma fraude causou a vantagem de menos de 0,6% de Calderón.Mesmo assim, afirmou que não vai aceitar nada que não seja a recontagem total dos votos e prometeu continuar os protestos durante meses e até anos.López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), convocou uma manifestação em massa para o dia 16 de setembro, Dia da Independência do México, na principal praça da capital, onde seria declarado "presidente alternativo" do país.O candidato do Partido da Ação Nacional (PAN), Felipe Calderón, também apresentou uma série de denúncias ao tribunal, com a finalidade de incrementar sua vantagem sobre o adversário do PRD.No domingo, PAN e PRD mudaram de lugar na disputa das eleições do estado de Chiapas, sul do país, onde as autoridades indicaram Juan Sabines, do PRD, vencedor. A diferença entre ele e José Antonio Aguilar, do PRI, foi de 6.300 votos. O candidato do PRI contava com o apoio do PAN, que tentava impedir a vitória de Sabines.Agora, o PAN apóia Aguilar na tentativa de invalidar os votos, alegando que o atual governador, Pablo Salazar, ajudou na fraude para que Sabines fosse eleito.O estado de Chipas foi cenário de violência em 1994, quando rebeldes zapatistas tomaram várias cidades e povoados da região. Oaxaca, estado vizinho, também passa por agitação política, com professores e lideres de esquerda enfrentando policiais, incendiando veículos e ao menos uma casa, e obrigando turistas a passar por pedágios improvisados.Neste domingo, manifestantes disseram que levariam as ações para todo o país, tomando embaixadas na cidade do México, caso não hajam avanços nas negociações mediadas pelo governo federal sobre a destituição do governador Ulises Ruiz, que reprimiu os protestos na região.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.