Warrick Page/The New York Times
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Tribunal paquistanês analisará recurso de médico que ajudou CIA a encontrar Osama bin Laden

Shakil Afridi participou de uma falsa campanha de vacinação na cidade de Abbottabad, planejada pelos americanos para conseguir amostras de DNA do ex-líder da Al-Qaeda

O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2016 | 11h38

ISLAMABAD - Um tribunal do Paquistão analisará em agosto a apelação do médico que ajudou a CIA a encontrar o ex-líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, dois anos após apresentar um recurso contra a sentença que lhe condenou a 23 anos de prisão por colaborar com um grupo terrorista, informou nesta terça-feira, 19, seu advogado.

"Um tribunal das áreas tribais de administração federal (FATA) estudará a apelação de Shakil Afridi. Até agora não aconteceu porque a acusação não havia entregado os documentos necessários à corte", detalhou Qamar Nadeem, advogado do médico paquistanês.

A audiência da apelação começará em 23 de agosto, segundo o advogado, que garante que seu cliente é inocente.

Afridi participou de uma falsa campanha de vacinação na cidade paquistanesa de Abbottabad, orquestrada pela CIA para conseguir amostras de DNA de Bin Laden, e foi detido pouco depois da morte do terrorista em uma operação de comandos especiais dos Estados Unidos em 2 de maio de 2011.

Um ano depois, Afridi foi condenado a 33 anos de prisão por laços com grupos terroristas por um tribunal das áreas tribais, onde rege um ordenamento legal da época colonial britânica e a Constituição do país não tem efeito.

A sentença do médico, que nunca recebeu uma condenação explícita por alta traição em razão de sua colaboração com a CIA, foi reduzida posteriormente a 23 anos de prisão.

Afridi continua na prisão, em confinamento solitário, com poucas visitas de sua família e, até agora, com poucas esperanças de recuperar sua liberdade.

A condenação do médico foi muito questionada dentro e fora do país, e organismos como a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão denunciaram que se vulneraram os direitos básicos do réu, como o fato de que ele não teve acesso a um advogado.

Veja abaixo: Os mistérios da morte de Bin Laden

A Comissão de Dotações Orçamentárias do Senado dos Estados Unidos decidiu em maio de 2012 recortar em US$ 33 milhões anuais, um por cada ano de condenação, os US$ 800 milhões em ajuda militar ao Paquistão, em represália pela sentença de Afridi, uma medida que não ajudou o médico.

Em 2011, comandos americanos assassinaram Bin Laden no Paquistão, em uma operação secreta realizada sem o conhecimento das autoridades paquistanesas, que denunciaram a violação de seu território. /EFE

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