Tribunal paquistanês ordena prisão de Musharraf devido à morte de Bhutto

Promotores alegam que ex-presidente sabia dos planos do Talebã de matar a líder oposicionista, em 2007.

BBC Brasil, BBC

12 de fevereiro de 2011 | 10h30

Para promotores, ex-líder sabia dos planos do Talebã de matar Bhutto

Um tribunal antiterrorismo do Paquistão emitiu neste sábado uma ordem de prisão contra o ex-presidente do país, Pervez Musharraf, devido ao assassinato da líder oposicionista e ex-premiê Benazir Bhutto, em 2007.

Promotores alegam que Musharraf tinha conhecimento prévio dos planos do Talebã de assassinar Bhutto na cidade de Rawalpindi, mas não fez nada para prevenir o atentado. O ex-presidente é acusado de não dar segurança suficiente à ex-primeira-ministra.

Musharraf, que vive em Londres, nega as acusações. Ele assumiu o poder no Paquistão em 1999 quando, como comandante das Forças Armadas, cometeu um golpe contra o primeiro-ministro eleito Nawaz Sharif. Musharraf renunciou à Presidência em 2008.

Musharraf tornou-se aliado dos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 e da invasão americana realizada no Afeganistão que se seguiu. No entanto, ele foi por diversas vezes acusado de fazer pouco para combater os militantes islâmicos do Talebã.

Bhutto foi assassinada em dezembro de 2007, vítima de um atentado suicida enquanto participava de uma carreata eleitoral. Ela foi primeira-ministra do Paquistão por duas vezes - entre 1988 e 1990 e entre 1993 e 1996.

Esquema de segurança

De acordo com os promotores, duas autoridades afirmaram em depoimento que, por ordens de Musharraf, o esquema de segurança de Bhutto foi modificado pouco antes que ela deixasse o local onde discursava em Rawalpindi e ingressasse na carreata.

O tribunal antiterrorismo de Rawalpindi afirmou que qualquer avanço no processo de investigação do assassinato de Bhutto não será possível sem a presença de Musharraf. A corte alega ter tentado contatar o ex-presidente, sem sucesso.

Segundo o tribunal, Musharraf será considerado um fugitivo procurado caso ele não compareça à próxima audiência do caso, marcada para o próximo dia 19. O ex-líder paquistanês diz que as acusações contra ele têm motivações políticas.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.