Arquivo/AP
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Tribunal Penal Internacional pede que CS da ONU atue contra o Sudão

Promotor-chefe do órgão chamou atenção para impunidade ao ex-vice-ministro do Interior e líder de milícia

Efe,

11 de junho de 2010 | 19h52

NOVA YORK- O promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno Ocampo, pediu nesta sexta-feira, 11, ao Conselho de Segurança da ONU que aja contra o Sudão por ignorar durante três anos as ordens de prisão contra dois líderes do país acusados por crimes de guerra em Darfur.

 

Em um comparecimento no CS, Ocampo lamentou que o ex-vice-ministro do Interior do Sudão, Ahmad Harún, e o líder de uma milícia pró-árabe, Ali Kushaib. "A impunidade de Ahmad Harún e Ali Kushaib é um dos principais problemas (de Darfur). Tem um custo", disse o jurista argentino.

 

Ocampo ressaltou que Kushaib continua sendo um líder tribal com amplos poderes no sul de Darfur, enquanto Harún é atualmente o governador da província de Kordofan Sul."Deveriam prendê-los antes que cometam novos crimes em seus cargos atuais", recomendou o promotor.

 

Para Ocampo, a ausência de uma punição aos crimes que os dois suspeitos supostamente cometeram entre 2003 e 2005 explica a persistência da violência em Darfur sete anos após o início do conflito. "Lamentavelmente, o crime de extermínio contra milhões de desalojados nos campos continuam, assim como as ações para impor a eles condições de vida desumanas", denunciou.

 

O responsável pelo TPI recordou que a violência continua em Darfur apesar de um acordo de paz firmado em fevereiro no Qatar entre o principal grupo rebelde, o Movimento de Justiça e Igualdade (MJI), e o governo sudanês.

 

Desde então, cerca de 100.000 civis foram transferidos à força pelo Exército sudanês na região de Jebel Marra.

 

O embaixador do Sudão na ONU, Abdalmahmud Abdalhaleem, rechaçou a intervenção de Moreno Ocampo ao sair da reunião do CS, e acusou o promotor de espalhar "mentiras e invenções".

 

"Vimos um promotor desesperado que interfere de modo flagrante e extremo nos assuntos do Sudão em nome dos que desempenham esta função", disse o diplomata.

 

Abdalhaleem garantiu que a situação de violência melhorou consideravelmente em Darfur e considerou que Harún fez um grande favor ao seu país ao longo de sua trajetória no governo de Cartum.

 

Os confrontos entre rebeldes e forças do governo do Sudão deixaram cerca de 600 mortos em Darfur em maio, considerado o mês mais sangrento desde 2008, ano da mobilização da missão de paz internacional na região. Segundo documento da missão ONU-União Africana (Minuad), 440 pessoas morreram em combates com soldados e 126 em confrontos com tribos rivais. Segundo estimativas da ONU, 300 mil pessoas morreram em Darfur desde 2003.

 

Em 2009, os magistrados do TPI emitiram uma ordem de prisão por crimes de guerra contra o presidente sudanês, Omar Al Bashir, que foi ignorada pelas autoridades de Cartum.

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