Tribunal prolonga eleições no Zimbábue

Contrariando posição do governo, o Tribunal Superior do Zimbábue ordenou neste domingo o prolongamento por um dia das eleições presidenciais zimbabuanas, acatando recurso apresentado pela oposição - o Movimento para Mudança Democrática (MDC), de Morgan Tsvangirai.A medida, confirmada pelo MDC, contraria decisão anterior do presidente Robert Mugabe - há 22 anos no poder e candidato à reeleição - de manter o prazo de votação, apesar das longas filas de eleitores diante dos postos no segundo dia de votação."O prazo inicial venceu e um grande número de zimbabuanos seria privado de um direito elementar", comentou Tsvangirai. "Teria sido uma tragédia manter aquele prazo."Horas antes da decisão judicial, o ministro da Justiça, Patrick Chinamasa, comentara que o pedido da oposição não "tinha nenhum sentido" e ameaçara apelar da sentença "caso ela favorecesse os interesses do MDC".No entanto, ao tomar conhecimento da decisão dos juízes, Chinamasa decidiu acatá-la. "A ampliação do prazo será respeitada", disse. Principalmente em Harare - principal reduto da oposição - formaram-se filas extensas diante dos distritos eleitorais. Muitos eleitores que não puderam votar por causa do fim do prazo poderão fazê-lo nesta sexta-feira.Segundo Tsvangirai, o governo prejudicou seu partido ao reduzir o número dos postos de votação em cidades onde o MDC é tradicionalmente mais forte que a agremiação governamental e abrir mais de 600 nos redutos eleitorais de Mugabe no interior do país. Apesar disso, o líder oposicionista manifestou otimismo quanto ao seu desempenho nas eleições.A rádio inglesa BBC denunciou várias prisões feitas pela polícia de Mugabe. Dois britânicos e dois norte-americanos foram detidos sob acusação de porte de equipamentos ilegais de rádio comunicação. "Esses homens pretendiam perturbar o processo eleitoral", acusou o ministro do Interior, John Nkomo.As embaixadas dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha em Harare confirmaram as prisões e devem apresentar um protesto, acompanhado de exigências de libertação, à chancelaria zimbabuana. Na cidade fronteiriça de Mutare, um simpatizante da oposição chamou a atenção das forças de segurança por comprar, numa banca de jornais, todos os exemplares do jornal The Herald, controlado pelos partidários de Mugabe. "Ele foi detido e está sendo submetido a interrogatório", informou o diário Sunday Mail (de Harare).Um porta-voz da comissão eleitoral disse em entrevista a uma emissora de rádio da capital que no primeiro dia da votação compareceram às urnas cerca de um terço dos 5,6 milhões de eleitores zimbabuanos. Ele confirmou que na capital e seus subúrbios o processo eleitoral registrou grande lentidão. No interior a afluência aos postos de votação foi maior.Segundo observadores sul-africanos, em algumas localidades os eleitores sofreram ameaças por parte de simpatizantes de Mugabe. Os resultados finais da votação devem sair entre terça e quarta-feira.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.