Tribunal reduz direito de ciganos porque são ?primitivos?

Dois ciganos vão apelar contra a decisão de um tribunal que os descreveu como ?primitivos? e deu-lhes uma indenização menor que a requerida por passarem 15 meses na cadeia, antes de serem declarados inocentes da acusação de assassinato. O tribunal da cidade de Szeged, no sul da Hungria, concordou em que se pague 1,2 milhões de florins (US$ 5.400) para cada um, 40% menos do que haviam pedido.Segundo o advogado dos ciganos, Bela Kotroczo, o tribunal argumentou que a compensação menor se justifica porque achou a personalidade deles ?mais primitiva do que a média?, o que significa que sofreram menos danos psicológicos na prisão.?Gostaria de saber como o nível de inteligência de uma pessoa pode ser usado para descrimina-la e julgar que sofreu menos?, disse Kotroczo. ?O tribunal está tentando limitar os direitos pessoais de meus clientes.?Os dois homens, os irmãos Zoltan e Miklos Gan, foram mantidos em custódia entre novembro de 2000 e abril de 2002, quando foram inocentados da acusação de assassinato.Attila Harangozo, o juiz que presidiu o tribunal, disse numa declaração por escrito, que a palavra ?primitivo? na descrição dos homens não pretendia ser discriminatória mas foi usada por um psiquiatra à serviço da Justiça para determinar se os homens tinham sofrido algum dano psicológico na prisão.Bea Bodrogi, representante do Escritório de Defesa Legal das Minorias Étnicas Nacionais, uma ong dedicada a proteger os direitos das minorias na Hungria, descreveu a atitude do tribunal como ?brutal?. Ela disse desconhecer qualquer outra decisão judicial estabelecendo que aqueles com ?capacidade intelectual mais modesta? podem suportar a prisão.

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