Tribunal sérvio decide que Mladic pode ser extraditado

Ex-comandante servo-bósnio pode responder também por crimes cometidos na Croácia

estadão.com.br com Efe

27 de maio de 2011 | 09h53

Mladic, em uma foto tirada nos anos 1990, e em outra, ontem

 

ZAGREB - Um tribunal sérvio decidiu nesta sexta-feira, 27, que o ex-comandante servo-bósnio Ratko Mladic, detido na quinta-feira perto de Belgrado, pode ser extraditado para a Holanda, onde será julgado pelo Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), em Haia.

 

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"Ficou estabelecido que a condição de saúde de Ratko Mladic o torna apto a ser julgado. Decidimos que as condições para a sua transferência foram garantidas", afirmou a juíza Maja Kovacevic. Mladic tem até a próxima segunda para apelar da decisão. Sua extradição não deve ocorrer até o fim da próxima semana. Segundo ela, Mladic terá até segunda-feira para apelar da decisão. Estima-se que, caso confirmada, a extradição não ocorra até o fim da próxima semana.

 

Mladic foi submetido a um interrogatório com um juiz sérvio horas depois de ter sido detido. Citando fontes da Promotoria sérvia de crimes de guerra, a emissora RTS informou que a primeira sessão de perguntas do promotor foi interrompida na noite de quinta devido à saúde do ex-militar, que teve problemas para se comunicar.

 

Também na noite de quinta, o TPII informou que considera ampliar a acusação contra o ex-general Mladic por diversos crimes cometidos na Croácia em 1991. A informação foi dada pelo promotor-geral do TPII, Serge Brammertz. "Quando Mladic chegar a Haia vamos considerar a ampliação da acusação", disse Brammertz segundo a agência croata "Hina". O promotor-geral do TPII assinalou que seu escritório já preparou material para uma possível ampliação nesse sentido.

 

A Croácia considera Mladic culpado por crimes de guerra cometidos contra civis no país em 1991, quando era comandante do nono Corpo do Exército Popular Iugoslavo (JNA), com sede em Knin, zona transformada na época em capital da rebelde "República Sérvia de Krajina".

 

A acusação do TPII contra Ratko Mladic se centra por enquanto nos crimes de guerra e lesa-humanidade, além de genocídio, cometidos entre 1992 e 1995 na Bósnia-Herzegovina. O tribunal da cidade croata de Sibenik condenou em 1992 Mladic a 20 anos de prisão por ter sido assinalado o responsável por bombardeios de instalações civis nessa cidade e em várias outras na área.

 

Em 1995, Mladic foi acusado pelo tribunal da cidade croata de Split de ter dado ordens a seus soldados para que destruíssem o dique e a central hidrelétrica de Peruca, o que pode ter deixado um grande número de vítimas devido a inundações em vários povoados. Mladic também é considerado o responsável pelo massacre de mais de 100 civis croatas nas aldeias de Skabrnja e Saborsko em 1991.

 

Divisões durante a guerra da Bósnia.

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