AP Photo/Ben Curtis
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Tribunal do Quênia declara resultado ‘inválido’ e convoca novas eleições

Juiz disse que votação não ocorreu ‘de acordo com a Constituição’; simpatizantes do opositor Raila Odinga, que recorreram do resultado na Justiça, comemoraram a decisão

O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2017 | 08h11

NAIRÓBI - O Tribunal Supremo do Quênia ordenou nesta sexta-feira, 1.º, novas eleições presidenciais ao declarar "inválido" o resultado da votação de 8 de agosto, que deu a vitória ao atual presidente, Uhuru Kenyatta.

"As eleições presidenciais não aconteceram de acordo com a Constituição", declarou o presidente do Tribunal, o juiz David Maraga. "Quanto à questão de saber se as ilegalidades e irregularidades afetaram a integridade da eleição, o Tribunal opina que sim."

Kenyatta, que enfrentou Raila Odinga nas urnas, "não foi eleito e declarado presidente de maneira válida", completou o juiz.

Do lado de fora do Tribunal Supremo, que contava com um grande esquema de segurança nesta sexta-feira, os simpatizantes de Odinga - que recorreram do resultado - comemoraram a decisão.

O presidente do Tribunal citou irregularidades na transmissão dos resultados. "Este é um dia histórico para a população do Quênia e, portanto, para a população do continente africano", declarou Odinga após o anúncio, ao recordar que esta é a primeira vez que um tribunal invalida eleições presidenciais na África.

Ele disse ainda que "não confia" na atual Comissão Eleitoral e uma nova equipe deve ser formada para as próximas eleições, previstas para acontecer no prazo de 60 dias, segundo a decisão.

Kenyatta, de 55 anos, eleito pela primeira vez em 2013, havia sido proclamado vencedor pela Comissão Eleitoral (IEBC) no dia 11 de agosto com 54,27% dos votos contra 44,74% de Odinga, de 72 anos, que já havia sido derrotado nas eleições de 1997, 2007 e 2013. O opositor recorreu ao Tribunal Supremo em 2013, mas a impugnação não prosperou na corte.

Após a proclamação da vitória de Kenyatta, o país registrou dois dias de violência nos redutos da oposição, nos subúrbios de Nairóbi e na região oeste. Ao menos 21 pessoas morreram nas manifestações e distúrbios, reprimidas pela polícia. / AFP

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