Tribunal venezuelano decide se Leopoldo López será julgado

Líder opositor foi ouvido no Palácio de Justiça, em Caracas; após 10 horas, audiência é suspensa e deve recomeçar hoje

CARACAS, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2014 | 02h01

O líder do partido venezuelano de oposição Vontade Popular (VP), Leopoldo López - preso desde fevereiro -, começou a ser ouvido ontem no Palácio de Justiça, em Caracas, para que o tribunal decida se ele irá ou não a julgamento pelos quatro crimes pelos quais é acusado, incluindo incitação à violência em protestos que deixaram ao menos três mortos. No início da madrugada, após mais de 10 horas de sessão, a juíza Adriana López decidiu suspender a audiência, que será retomada hoje.

A conta no Twitter do líder do VP, mantida por sua mulher, Lilian Tintori, comentou os principais acontecimentos da sessão. "Neste momento, acaba de começar a audiência de Leopoldo e dos estudantes", publicou a equipe do opositor por volta do meio-dia. Durante a audiência, López leu uma declaração escrita à mão de 50 páginas. "Estou preso por ter denunciado que vivemos uma ditadura na Venezuela", disse.

Nas imediações do Palácio de Justiça, onde foi montado um grande aparato de segurança, a mulher de López garantiu ter esperança de que a decisão seria favorável. "Esperamos justiça, esperamos verdade. Esperamos que a democracia prevaleça", afirmou Lilian.

A ex-deputada e líder da oposição, María Corina Machado, também compareceu ao local para declarar apoio a López. "O único delito que ele cometeu foi acompanhar o clamor de um povo que entendeu que para sair deste pesadelo, a primeira coisa que deve ocorrer é uma transição democrática e constitucional e os protestos são a maneira de enfrentar um regime ditatorial", disse Corina.

Governador do Estado de Miranda e principal nome da oposição, Henrique Capriles, também usou o Twitter para apoiar López. "Justiça é sua liberdade imediata e o engavetamento do processo", escreveu. Manifestantes favoráveis ao governo do presidente Nicolás Maduro também foram para a frente do tribunal e gritavam palavras de ordem contra López.

Em abril, o Ministério Público acusou López de incitação à violência, danos contra a propriedade pública, associação para o crime e incêndios. Foram apresentadas 120 provas e 76 testemunhas contra o político, segundo a defesa do opositor. Caso vá a júri e seja condenado, López pode receber pena de até 13 anos e 9 meses, segundo a procuradora-geral venezuelana, Luisa Ortega Díaz. / EFE

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