Lincoln Holder/Courtesy Newsday/Handout via Reuters
Lincoln Holder/Courtesy Newsday/Handout via Reuters

Trinidad e Tobago deporta 16 crianças venezuelanas e governo fala em 'invasão imigrante'

No domingo, 16 menores venezuelanos, alguns separados de seus pais, foram deportados do país caribenho e voltaram ao território insular após cerca de 48 horas de incertezas porque não se conhecia seu paradeiro

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2020 | 17h20

PORTO DA ESPANHA - O primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Keith Rowley, afirmou nesta quarta-feira, 25, que seu país está sob uma invasão de imigrantes ilegais incentivados por supostas máfias de tráfico de pessoas que usa "crianças inocentes" para entrar nas ilhas.

Ele criticou o que chamou de uso político da história de 16 menores venezuelanos, alguns acompanhados por suas mães e outros separados das famílias, que foram deportados do país caribenho e voltaram ao território insular após cerca de 48 horas de incertezas porque não se conhecia seu paradeiro.

"Trinidad e Tobago está atualmente sob a mais recente invasão, pessoas armadas sem nome e sem rosto usam crianças inocentes para tentar nos forçar a aceitar o status de 'refugiado'", disse Rowley em sua conta no Twitter, defendendo-se de críticas causada pela deportação das crianças.

Na segunda-feira, uma advogada e um grupo de dirigentes opositores da Venezuela denunciaram que Trinidad e Tobago deportou 16 menores venezuelanos por mar, separando alguns deles de seus pais.

As crianças foram deportadas no domingo, horas antes da retomada de uma audiência judicial sobre seu pedido de permanência no país, como afirmou a advogada Nafeesa Mohammed à agência France Presse.

A advogada disse que solicitou uma audiência virtual na tarde de domingo, quando um tribunal exigiu que o chefe do Estado-Maior de Defesa - a mais alta posição militar em Trinidad e Tobago - apresentasse os migrantes no tribunal.

No entanto, segundo Mohammed, quando a audiência foi retomada na segunda-feira, o comandante da Guarda Costeira informou que eles já haviam sido escoltados até a fronteira marítima.

Ela pediu que o governo de Rowley apure o caso e reconsidere a maneira como tem lidado com a crise migratória ligada à chegada dos venezuelanos em seu território. "É necessária uma investigação. Sabemos que há imigrantes irregulares e chegou a hora de o Estado melhorar o sistema para gerenciar o fluxo. São crianças!", disse.

O líder opositor venezuelano David Smolansky, comissário da secretaria-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) para os migrantes de seu país, disse que 29 pessoas foram deportadas: 16 crianças - uma delas um bebê de quatro meses - e 13 adultos. Depois de encontradas, as crianças foram devolvidas à Trinidad e Tobago por ordem de um tribunal, disse Smolansky no Twitter.

O pai de uma das crianças disse à France Presse que mora em Trinidad e Tobago há dois anos e envia dinheiro à Venezuela para ajudar sua mulher a cuidar dos quatro filhos. “A cada dia é mais crítico e difícil para eles sobreviverem, então eu disse à minha mulher para vir com nossa filha mais velha”, disse ele.

A Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) expressou "preocupação" com a situação após denúncias sobre o desaparecimento de migrantes. A CIDH instou Trinidad e Tobago a "garantir a entrada" de venezuelanos "que buscam proteção internacional por motivos humanitários".

Mas nesta quarta-feira, o primeiro-ministro questionou como seu pequeno país insular, de 1,3 milhão de habitantes, pode, com base nos tratados internacionais, manter as fronteiras abertas com um vizinho de 34 milhões de pessoas durante uma pandemia.

Rowley disse que seu país está sendo forçado a receber por suas fronteiras "todos os migrantes econômicos, traficantes de armas, narcotraficantes, traficantes de pessoas e líderes de gangues sul-americanas" sob a figura de "refugiados".

A ONU estima em mais de 5 milhões o êxodo de venezuelanos que deixaram o país desde 2015, forçados pela crise econômica aguda. Rowley disse, por sua vez, que Trinidad e Tobago facilitou o registro de 16 mil imigrantes.

O governo de Nicolás Maduro ainda não se pronunciou sobre o assunto./ AFP e EFE 

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